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Em prêmio politicamente incorreto, Putin é a "personalidade do ano"

20/12 - 09:24 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK - O novo czar da Rússia Vladimir Putin é a personalidade do ano da revista "Time". Este prêmio pode ser uma honraria constrangedora. O Kremlin foi marqueteiro e disse que o prêmio demostra o prestígio do todo-poderoso. Prestígio não é a mesma coisa que importância ou nobreza. "Time" conferiu o prêmio porque Putin trouxe estabilidade a seu país depois dos caóticos dias sem comunismo esclerosado e recolocou a Rússia no "tabuleiro do poder mundial". O custo escancarado foi a democracia.

 

Além do Kremlin, o presidente americano George W. Bush (premiado no passado, assim como Hitler e Stálin), deve ter ficado feliz com a escolha de "Time". Putin derrotou Al Gore. Seria demais para Bush ver mais uma premiação para o candidato que teve mais votos populares do que ele nas eleições do ano 2000 e se tornou um aclamado paladino do meio-ambiente. Gore já ganhou o Oscar, o Emmy e o Nobel da Paz. É uma condecorada superpersonalidade.

A revista "Time" preferiu não ser politicamente correta ao escolher Putin e não Gore. Nào teve a mesma coragem em 2001, ano dos atentados do 11 de setembro. Premiou o então prefeito de Nova York, Rudolf Giuliani, e não Osama bin Laden, para não ter o prejuízo de 1979 quando perdeu um número indeterminado de assinantes ao selecionar o aiatolá Khomeini.

Premiação muito mais importante para Putin será continuar no poder sem o cargo formal de presidente. A palhaçada no Circo de Moscou foi um sucesso. Com a oposição sufocada e Putin genuinamente popular, o partido governista Rússia Unida teve uma vitória avassaladora nas eleições parlamentares de novembro.

Putin se achou no "direito moral" de selecionar o protegido Dmitri Medvedev para vencer as eleições presidenciais de março próximo. Grato por antecipação, Medvedev anunciou que seu primeiro-ministro (e poder de fato) será Putin, que não pode concorrer a um terceiro mandato. Sem a cômica exuberância do frustrado Hugo Chávez, o soturno Putin consegue se perpetuar no poder. Isto que é estabilidade.

A "Time" premiou Putin e eu vou conferir um prêmio para a sempre afiada "The Economist". Em um artigo sobre as palhaçadas no Circo de Moscou, a publicação se referiu ao sem personalidade Medvedev como o "Mini Me" de Putin.

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