14/11 - 10:32 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Go Musharraf Go! Este é o grito de guerra de advogados e outros integrantes da resistência à lei marcial do presidente-general do Paquistão. Nos últimos dias, o regime de Pervez Musharraf só foi mais para o fundo em termos de credibilidade, mas mostrou que está no comando para reprimir o movimento pró-democracia, que agora parece contar com a adesão menos ambivalente da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto. Sob prisão domiciliar, ela deixou de lado os conchavos de partilha de poder com o presidente, estimulados pelo governo Bush, e na terça-feira, pela primeira vez, aderiu ao "go Musharraf go". Com a maleável ex-primeira-ministra, nunca se sabe. Ela costuma voltar atrás, mas nas atuais circunstâncias ficou complicado seu jogo duplo e agora Benazir Bhutto fala em cerrar fileiras com seus rivais na oposição ao governo.
A eficiência repressora do regime não se estende à verdadeira ameaça à segurança nacional (e internacional) que são os extremistas islâmicos no noroeste do país. Não é grande consolo, mas os assessores de Musharraf ao menos admitem que a principal razão para a decretação do estado de emergência no último dia 3 foi se livrar de uma Corte Suprema que estava para invalidar a reeleição do presidente.
Mas para justificar seu papel de aliado estratégico de Bush na guerra contra o terror, Musharraf também argumentou que precisava de maior margem de manobra para combater estes extremistas islâmicos. O Exército, contudo, não tem mais controle do que antes da decretação do estado de emergência na luta contra os radicais. Um dia após a decretação do estado de emergência, o governo libertou 30 integrantes do Taleban, alguns envolvidos no planejamento de atentados suicidas. Em troca, os extremistas islâmicos soltaram 250 soldados que tinham sido aprisionados em agosto sem disparar um tiro.
Na terça-feira, Musharraf disse que proteger seu país é mais importante do que ter democracia. Ele decepciona nos dois quesitos. Com o aprofundamento da crise, o governo Bush está despachando o subsecretário de Estado John Negroponte ao Paquistão para renovar o apelo para a revogação das medidas de emergência e também para tentar impedir uma ruptura definitiva entre Pervez Musharraf e Benazir Bhutto. A Casa Banca apostara suas fichas no pacto entre os dois como o melhor caminho para arrancar o país de sua crise política e combater a crescente insurgência islâmica. No Congresso, em Washington, existem vozes a favor de uma quartelada, ou seja, encontrar algum general com credibilidade que substitua Musharraf. O governo Bush insiste que a prioridade ainda é remendar a aliança entre Musharraf e Benazir Bhutto. A política americana para o Paquistão é um farrapo.
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