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Os justos e talvez vitoriosos monges budistas de Mianmá

01/11 - 07:55 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Deus salve os bravos monges budistas de Mianmá. Primeiro, eles protestaram. Foram espancados, detidos e até mortos pelos militares daquele remoto país do sudeste asiático. Agora pelo menos 100 monges voltaram às ruas para pacíficas marchas pró-democracia.

 

É significativo que este corajoso protesto na quarta-feira tenha acontecido na cidade de Pakokku, no centro do país, onde começaram as manifestações contra a alta dos preços dos combustíveis que se alastraram por Mianmá em setembro. Pakokku  -um tradicional centro de aprendizado budista, com mais de 80 monastérios-  fica a 630 quilômetros de Yangoon, a principal cidade do país.

Os protestos de setembro foram brutalmente esmagados pelos militares, dezenas de pessoa morreram, milhares foram presas e sanções internacionais foram intensificadas, embora sem o endosso da China, a grande aliada do regime mlitar que governa Mianmá há 45 anos.

Mas aí estão novamente os monges em aberto desafio à junta militar. Está claro que a repressão em setembro sufocou mas não conseguiu erradicar o ressentimento contra os brutais e corruptos militares num cenário de aprofundamento da pobreza.

O dilema agora para os militares é ir ou não novamente à carga contra os venerados monges,  que  prometem novas marchas para os próximos dias O anúncio é sintomático porque provavelmente no sábado o enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, irá se reunir com os militares, em mais um esforço de reconciliação. A junta de governo faz um pouco de média e pede tempo. Na terça-feira, as autoridades libertaram dirigentes da Liga Nacional para a Democracia, liderada pela brava dissidente Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz que se encontra em prisão domiciliar. A própria lider oposicionista manteve uma reunião inesperada com um representante do regime militar na semana passada.

São concessões cosméticas e os militares não querem que uma nova onda de protestos ofusque a visita do emissário da ONU. Todas as pressões e denúncias são poucas contra este tipo de regime truculento. Na terça-feira, em Nova York, o grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch pediu sanções das Nações Unidas contra Mianmá porque o regime está recrutando garotos de até dez anos para serem soldados.

O relatório do Human Rights Watch sugere que a junta está perdendo o controle sobre a soldadesca. Difícil saber qual é a sobrevida deste regime militar em Mianmá. Mas estão aí as lições de paciência histórica dos movimentos pacifistas de Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Os justos às vezes vencem.





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