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Com Cristina e Hillary, a promessa de tango político

29/10 - 08:24 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- O presidente Lula gosta muito de viajar ao exterior e, mais do que nunca, ele poderá deixar o Aerolula sempre esquentando os motores na pista porque agora terá muito competição no espaço internacional de sua vizinha, a presidente-eleita da Argentina Cristina Kirchner. Durante a campanha eleitoral, ela circulava tanto pelo mundo que parecia estar concorrendo mais ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas (que, aliás, nunca teve uma mulher nesta posição) do que de sucessora do marido Nestor Kirchner.

Cristina sempre se mostrou muito mais animada do que o marido na arena internacional e nunca escondeu seu fascínio pela vida americana. Em Washington, há expectativa de que com ela no poder ocorra uma melhoria nas relações da Argentina com os EUA e isto é um projeto mais a longo prazo diante da propalada "química" entre Cristina Kirchner e Hillary Clinton. Claro que a ex-primeira-dama democrata ainda precisa vencer as eleições presidenciais americanas de novembro de 2008 para que haja este tango diplomático.

As relações entre Washington e Buenos Aires esfriaram diante das resistências do governo Kirchner às ambições americanas da área de livre comércio hemisférica e também devido à sua aproximação com o presidente venezuelano Hugo Chávez , que concordou em refinanciar US$ 5 bilhões da dívida argentina. Cristina poderá ser menos efusiva do que o marido em relação a Chávez embora não tenha tanta margem de manobra devido aos laços financeiros. Um grande desafio diplomático será manter a relação estratégica com a Venezuela e se reaproximar dos EUA.

De qualquer forma, os americanos  (republicanos e democratas) gostam da doutrina Cristina, enunciada em uma recente entrevista à revista "Time" no sentido de que ela não será necessariamente "amiga dos amigos" da Argentina, ou seja, seu país não compartilha o entusiasmo venezuelano pelo Irã. As relações com Teerã estão azedas na medida em que os argentinos acusam os iranianos, inclusive o ex-presidente Ali Rafsanjani, de terem ordenado o atentado contra o centro comunitário judaico em Buenos Aires, em 1994, que deixou 85 mortos.

Obviamente, prioridades em política externa de Cristina Kirchner serão ali nas vizinhanças (a começar no país do Aerolula), mas o jornal "New York Times" observou que não será surpresa uma exuberância diplomática da presidente-eleita argentina, dando palpite em questões distantes da Argentina, mas ainda assim universais, como o genocídio em Darfur. Cristina, bienvenida, embora já estivesse no jogo político.





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