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Ahmadinejad é um pequeno tirano, não Hitler ou Stalin

24/10 - 08:32 - Caio Blinder

NOVA YORK- Em meio ao histerismo nos EUA sobre o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, é uma saudável ducha de água fria o texto desta semana na revista "Newsweek" de Fareed Zakaria, um dos mais influentes colunistas de política internacional do país. Na verdade, Zakaria passa um sabão em George W. Bush e companhia. Na advertência aloprada, o presidente americano disse que o Irã de Ahmadinejad pode provocar a Terceira Guerra Mundial se tocar adiante seu programa nuclear.


Para começo de conversa (aliás, eu sou repetitivo nesta questão), acho Ahmadinejad uma figura desprezível e um impostor, mas o homenzinho não é Hitler ou Stálin. Estão lá os números básicos de Zakaria. O Irã tem uma economia do tamanho da Finlândia e suas despesas militares são 110 vezes menores do que as dos EUA. A grande maioria dos governos árabes discretamente torce para Israel aprontar alguma contra as instalações nucleares do regime xiita.

O favorito entre os candidatos presidenciais republicanos, o ex-prefeito de Nova York, Rudolf Giuliani, está mais bushista do que o presidente. Ele sugeriu que Stálin e Mao eram mais racionais do que Ahmadinejad. Um dos assessores de política externa de Giuliani é o patrono dos neoconservadores, Norman Podhoretz. Ele buzinou no ouvido de Bush que somente um ataque militar resolverá a crise nuclear iraniana e escreveu que Ahmadinejad quer implantar uma nova ordem internacional baseada na cultura do islamofascismo.

Calma! Ahmadinejad é capaz de provocar estragos na vizinhança, mas ele não tem tamanho poder de fogo. O presidente iraniano vive no seu mundo de fantasia e nega fatos indiscutíveis da história, como o Holocausto. Parece que seus adversários neoconservadores estiveram na mesma escola de sandices e provocações baratas. Zakaria escreve que talvez os EUA "estejam no caminho de um confronto irreversível" com o Irã, mas sua elite dirigente pouco sabe sobre o país. Esta elite é capaz de partir para a ignorância com o mesmo espírito de folia que marcou a invasão do Iraque.

Aliás, falando em ignorância, a principal reportagem da semana da "Newsweek" argumenta que o país mais perigoso do mundo neste momento não é o Iraque, o Irã ou a Coréia do Norte (já sei, alguém vai se antecipar e dizer que o império americano é o que existe de pior), mas o Paquistão, com suas hostes jihadistas, precariedade política e o perigo de perda de controle do arsenal nuclear se a situação realmente degringolar. Ali não será o cenário da Terceira Guerra Mundial, mas de uma longa guerra.





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