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Na China, uma longa marcha para deixar tudo na mesma

22/10 - 08:06 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- O Partido Comunista chinês tem a seguinte versão de transparência: no congresso do PC, que acabou de se realizar em Pequim, burocratas que despontam para o alto comando do país agora saem da sombras para dar entrevistas à imprensa, mas simplesmente não falam nada de interessante, além de endossar o brilhantismo da atual chefia, que tem a frente Hu Jintao, consagrado presidente e secretário-geral do PC por mais cinco anos.

Como se esperava, Xi Jinping, chefe do PC em Xangai, e Li Keqiang, líder na província de Liaoning, foram promovidos nesta segunda-feira ao Comitê Permanente do Politburo, o núcleo decisório com nove integrantes. A promoção dos dois abre espaço para a luta pela sucessão de Hu Jintao. 

Uma grande proeza chinesa é ser a única das dez maiores economias do mundo que carece de uma democracia multipartidária. O "Wall Street Journal", uma publicação que entende de investimentos, observa que a aposta histórica do PC chinês continua surtindo efeito: conferir estabilidade e crescimento econômico em troca de aceitação popular de um governo autoritário. 

O vertiginoso crescimento econômico resultou em uma sociedade mais complexa e maiores desigualdades sociais, mas o PC chinês acredita que alguns pequenos ajustes e uma política um pouco mais populista são suficientes para acalmar as massas e conter as exigências mais sofisticadas de uma crescente classe média. 

Ao mesmo tempo, o "partidão" não brinca em serviço e arrocha o controle para impedir uma dissidência política mais aberta. As mudanças cosméticas, como um debate intramuros menos rígido e futuros dirigentes que saem mais cedo das sombras, têm o objetivo de perpetuar o poder de Hu Jintao e seus sucessores. Êxito nesta empreitada, ou seja, manter o monopólio de poder, será um desafio à visão ocidental de que economias modernas precisam de mais flexibilidade e democracia no processo decisório para um sucesso a longo prazo. Na Rússia, Vladimir Putin já coloca em xeque esta proposição, mas a China é um teste histórico mais importante. 

De fato, o PC chinês é flexível no sentido orwelliano da expressão. Apesar do colapso da ideologia socialista, o Partido Comunista consegue se manter relevante e no poder graças `a invencionice do leninismo de mercado. Hoje empreendedores capitalistas estão entre os 73 milhões de membros do PC. Há também uma sutileza. Apesar do arrocho contra dissidentes, a atual safra dirigente resiste `a idéia dos métodos mais repressivos do maoísmo ou sandices ao estilo da revolução cultural. Nenhuma surpresa que Hu Jintao tenha dito que pode haver debate desde que haja concordância com a linha oficial. 

Os dirigentes chineses insistem que não irão copiar modelos ocidentais. Mentira. Eles são seletivos: importaram o marxismo e uma forma selvagem de capitalismo, enquanto tentam manter uma Muralha da China para deter a entrada de genuínos direitos politicos individuais.

 





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