10/10 - 08:41 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- Em setembro, o presidente da Universidade de Columbia, em Nova York, insultou Mahmoud Ahmadinejad quando o presidente iraniano apareceu por lá para uma palestra. Foi insulto fácil para fazer média com aqueles que se enfureceram com o mero convite a Ahmadinejad para falar em Columbia. Coragem mesmo é insultar o presidente iraniano no seu terreiro, em Teerã. Um punhado de estudantes gritou "morte ao ditador" quando Ahmadinejad esteve na Universidade de Teerã esta semana para discursar na abertura do ano letivo. Eles ecoaram a frustração de muitos com um sistema que sufoca em nome de verdades absolutas.
Estes protestos públicos são raros no Irã, mas existem. Ditador Ahmadinejad? O homem merece os insultos por negar o Holocausto (e homossexuais no Irã), falar em varrer Israel do mapa, bravatear as perigosas ambições nucleares do seu país e fracassar na sua política econômica, apesar das divisas obtidas com os altos preços do petróleo. Mas o Irã não é uma plena ditadura, ao estilo da Coréia do Norte, outro integrante do "Eixo do Mal" inventado por George W. Bush. Protestos como estes em Teerã são inconcebíveis na Arábia Saudita, aliado estratégico dos EUA no Oriente Médio.
Ahmadinejad foi eleito em 2005 nos parâmetros das muito limitadas liberdades democráticas do regime xiita. Ele fala muito, mas quem fala mais alto é o aiatolá Ali Khamenei, líder espiritual do país. Adepto de um populismo místico, Ahmadinejad celebrou sua vitória em 2005 realizando um expurgo na Universidade de Teerã, enxotando professores mais liberais e botando no comando do campus um clérigo llnha dura, o aiatolá Zanjani, sem qualificações acadêmicas.
Em dezembro passado, estudantes queimaram retratos do presidente na frente dele, ali na Universidade de Teerã. Ahmadinejad disse que era um direito dos manifestantes e que o gesto provava a devoção do regime xiita à liberdade de expressão. Mas muitos dos estudantes foram presos depois e se acredita que alguns ainda estejam encarcerados.
No contexto da democracia ao estilo iraniano, eleições parlamentares terão lugar em março próximo. Oponentes de Ahmadinejad tentam costurar uma coalizão integrada por reformistas liberais e conservadores pragmáticos. Na missão inglória, se este pessoal alcançar maioria parlamentar, será mais difícil para Ahmadinejad conseguir a reeleição quando seu primeiro mandato terminar em 2009. Se perder, ele poderá, então, entrar definitivamente no circuito de palestras, para insultar e ser insultado.

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