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Bush perde controle sobre narrativa do 11 de Setembro

11/09 - 07:51 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Onde você estava em 11 de setembro de 2001? Talvez estarrecido diante da televisão. Na primeira descida do homem na Lua também havia uma audiência global de televisão, mas aquele era um evento programado. A tragédia de 11 de setembro foi sem roteiro, os jornalistas estavam muitas vezes atônitos e por muitas horas os "espectadores" não sabiam como ela iria terminar. Como esquecer?

E mesmo quem não assistiu, não esquecerá a data. É diferente da bomba de Hiroxima ou quando John Kennedy foi baleado. Podemos nos confundir sobre o dia destas duas últimas tragédias, mas o 11 de setembro é inesquecível, pois a data compartiha o nome com a catástrofe de 2001.

Apesar do impacto e do legado, neste sexto aniversário existe uma conversa no ar sobre a "fadiga do 11 de setembro". Bobagem. No fundo é um pouco de jogada da própria mídia para ter um ângulo diferente sobre a história. Estamos tendo menos cobertura jornalística e menos interesse popular na celebração desta terça-feira, pois não é uma "data redonda", como o quinto aniversário em 2006. Tampouco há como negar um certa distanciamento emocional seis anos mais tarde. Mas esta aí a pesquisa do Instituto Zogby, mostrando que para 81% dos americanos o 11 de setembro é o mais memorável evento histórico de suas vidas.

A exploração política da tragédia é inevitável. O ex-prefeito de Nova York e candidado presidencial Rudy Giuliani não nos deixa mentir (veja minha coluna de segunda-feira) e para George W. Bush o 11 de setembro é a razão de ser. O presidente acidental encontrou uma causa em setembro de 2001. Pena que tenha se desgovernado no meio do caminho e causado tantos acidentes.

O 11 de setembro é inesquecível, mas é importante ver como está mudando a narrativa. Nos meses e anos seguintes aos atentados, Bush impôs a narrativa maniqueísta da guerra permanente contra o terror e também apocalíptica de que o terror islâmico representava uma ameaça existencial à civilização ocidental. Hoje é possível argumentar nos EUA, sem ser rotulado de antipatriótico, que os radicais islâmicos não representam a mesma ameaça existencial que o nazismo ou o comunismo soviético, embora o perigo seja sério, letal e deva ser combatido de forma implacável.

O Iraque foi um desvio de curso que pode se revelar irreparável. Ironicamente, passou a fazer parte da guerra contra o terror, uma incubadeira de terroristas. O 11 de setembro nunca será esquecido, mas a narrativa de Bush merece ser colocada na lixeira da história.





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