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Giuliani explora mística dos atentados de 11 de setembro

10/09 - 07:52 - Caio Blinder, de Nova York

NOVA YORK- Naquela manhã da terça-feira ensolarada e aterradora de 11 de setembro de 2001, Rudy Giuliani estava comandando, lá nos baixos de Manhattan. O prefeito foi o nosso Churchill no dia da tragédia. O ex-prefeito sempre terá o direito de participar da solene celebração anual, como a que terá lugar nesta terça-feira. Mas será que o candidato presidencial republicano tem o direito de falar na cerimônia? Há uma linha tênue entre exploração política e comemoração. Hillary Clinton, a candidata presidencial democrata, também vai participar da cerimônia, mas sem fazer discurso.

 

O "New York Times", algumas famílias das vitimas do 11 de setembro e bombeiros estão furiosos com a decisão do ex-prefeito de falar na cerimônia (um curto texto preparado). Eles têm razão. Vamos ser infames. Giuliani reconstruiu sua carreira de prefeito e alçou vôo presidencial do alto dos destroços das torres-gêmeas do World Trade Center. Vamos ser infames e maldosos. Ele também ficou rico graças à tragédia. Somente em 2006 e começo de 2007, Giuliani ganhou US$ 9 milhões no circuito Fórmula 1 de palestras. E há o resto com sua empresa de consultoria e de investimentos.

O mote da campanha presidencial de Giuliani é o destermor churchilliano. Os americanos podem confiar nele se o terror atacar outra vez. Eu confesso que respeito o xerife Giuliani daquele dia hediondo. Mas seu ex-assessor Jerry Hauer (que brigou com ele) diz que o candidato presidencial é "especialista em 12 de setembro", ou seja, fracassou para preparar Nova York contra um ataque terrorista e só visualizou o perigo depois. 

Em seu livro "Grande Ilusão", Wayne Barrett e Dan Collins fulminam o que consideram a incompetência de Giuliani para lidar com a ameaça terrorista. Na lista de erros que contribuíram para a barbárie, os autores colocam a falta de comunicação entre os vários departamentos municipais e o absurdo de um centro de comando de emergência localizado no próprio World Trade Center, que já sofrera um atentado em 1993. Há outras denúncias, como a negligência de Giuliani, ainda como prefeito, para cuidar de problemas como o ar tóxico no "Ground Zero" nos meses seguintes aos atentados. Milhares de pessoas que atuaram na zona de desastre ficaram doentes e milhares de processos foram abertos.

A mística Giuliani conta mais do que esta noção de "grande ilusão", pelo menos na corrida das primárias dos republicanos. O ex-prefeito continua na condição de líder da maratona. Quem sabe em um próximo discurso para lembrar o 11 de setembro, Giuliani possa falar francamente dos erros cometidos e das lições aprendidas.

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