22/08 - 07:59 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK- O primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e uma delegação empresarial de peso do seu país estão na Índia para uma visita de três dias. Abe chegou na terça-feira, 50 anos depois da primeira visita à Índia de um dirigente japonês, Nobusuke Kishi, seu avô. E nós com isto? Nada de dar os ombros para um tsunami geopolítico na Ásia, envolvendo a primeira e a terceira economias do continente. É preciso dizer qual é a segunda economia asiática, que dia menos dia irá superar a japonesa?
Comércio é o foco imediato desta visita (hoje uma bagatela bilateral anual de US$ 7 bilhões, mas que poderá dobrar em cinco anos) e projetos ambiciosos serão concretizados, como investimentos japoneses em um projeto de infraestrutura de US$ 100 bilhões para criar um corredor industrial entre a capital Nova Déli e Mumbai, porto e coração financeiro do país. É o maior projeto de desenvolvimento já empreendido na Índia.
Mas o aspecto mais significativo desta primeira visita de Abe à Índia e suas reuniões com o primeiro-ministro Manmohan Singh são os passos para forjar uma parceria estratégica a longo prazo. A visita é o lance mais importante já feito como parte deste esforço. O maduro gigante japonês precisa de aliados para conter o crescente poderio econômico e politico da China. A emergente índia tem preocupações semelhantes. Nesta ambição estratégica, Shinzo Abe favorece inclusive uma aliança integrada por seu pais, a Índia, os EUA e a Austrália. É uma jogada que obviamente incomoda os chineses. Na retórica de Shinzo Abe, "Japão e Índia podem formar um arco de prosperidade e de liberdade", em alusão a uma China ainda carente de democracia.
A crescente afinidade dos japoneses com os indianos, que nunca foram muito íntimos, é fruto de necessidade e deixa definitivamente para trás a estranheza gerada pelos testes nucleares de surpresa conduzidos por Nova Déli em 1998. Na ocasião, Tóquio suspendeu os laços econômicos com os indianos, mas agora tem disposição até para discutir cooperação em tecnologia nuclear civil e mesmo defesa.
Hoje parece que a prioridade, tanto na Ásia, como no resto do mundo, é aprender a calibrar uma relação de competição e de cooperação com a China. Existe a consolidação deste eixo Tóquio-Nova Déli, mas o comércio entre os dois países ainda é irrisório (4%) em relação às trocas envolvendo Japão e China. Há 4.754 companhias japonesas atuando na China e apenas 216 na Índia. De qualquer forma, o Japão quer reduzir sua dependência econômica da superpotência emergente e dar um pequeno susto geopolítico em Pequim.

Publicidade
Japão vê chance de liderar na promoção de eficiência energética