12/07 - 07:50 - Caio Blinder, de Nova York
NOVA YORK - Claro que campanha eleitoral é uma caixinha de surpresas. Está aí o exemplo do bravo, contraditório, oportunista e cheio de convicções John McCain. Meses atrás, o senador pelo Estado do Arizona e ex-prisioneiro na Guerra do Vietnã parecia imbatível na corrida das primárias republicanas rumo às eleições presidenciais americanas de 2008. Agora é a implosão de sua campanha e a necessidade melancólica de McCcain insistir que continua na raia.
Há dúvidas se McCain ainda tem fôlego seis meses antes do início da corrida das primárias. Esta semana, o alto comando de sua campanha foi demitido, falta dinheiro e o senador caiu para o segundo escalão nas pesquisas, enquanto o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani se consolida na liderança republicana.
Mas McCain gosta de estar nesta posição meio marginal, quando suas virtudes iconoclastas se destacam. Mas antes vamos falar do seu declínio. McCain já tentara a indicação republicana no ciclo eleitoral do ano 2000, quando foi derrotado por George W. Bush, que não teve pruridos para empreender uma campanha muito suja contra o adversário. McCain se reinventou e poliu sua imagem de indomável conservador independente, sem medo para investir contra a direita religiosa e a corrupção eleitoral. Ele fez as pazes com Bush e resolveu, num cálculo político desastroso, voltar à luta eleitoral como um candidato do establishment.
Este oportunismo coincidiu com a acentuada queda da popularidade de Bush. Rivais na corrida republicana agora são mais oportunistas e se distanciam do presidente. McCain, no entanto, se mostra autodestrutivo nas suas convicções. Para o desencanto dos eleitores independentes que o adoravam, ele mantém uma passional defesa dos planos da Casa Branca no Iraque, enquanto outros senadores republicanos desertam.
Mas McCain pagou um preço mais alto ao enfurecer a base republicana e se aferrar a seus princípios quando se posicionou a favor da reforma da imigração, um projeto que deu em pizza e confirmou o descrédito de Bush dentro do seu próprio partido.
Uma reviravolta é muito difícil e a idade de McCain não ajuda (70 anos), mas vamos ser consistentes como o senador e repetir o que dissemos no começo do texto: campanha eleitoral é uma caixinha de surpresas. Como prisioneiro de guerra torturado, McCain se mostrou perseverante. Quem sabe, ele reencontre seu rumo na selva política americana.

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