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Jornalista do iG apura eterna tensão entre desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente 'in loco'

11/06 - 10:12 - Fausto Sposito, repórter Último Segundo em Manaus



Poucos segundos após a decolagem do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, já era possível notar a espessa névoa acinzentada que paira sobre a capital paulista. A triste visão logo suscitou em mim as primeiras indagações a respeito do clima, já que eu voava em direção a maior floresta tropical do planeta. Erroneamente chamada de pulmão do mundo, a Amazônia é uma das protagonistas do entrave global na questão climática e o rumo deste supostamente frágil ecossistema irá influir de maneira determinante nos rumos de toda a raça humana.

No jornal entregue pela aeromoça, mais uma sugestiva surpresa. Eu estava embarcando para a Amazônia no Dia Internacional do Meio Ambiente. No mesmo momento, os principais chefes de Estado se preparavam para embarcar para a Alemanha onde poucos dias depois aconteceria o Encontro de Cúpula dos países mais ricos do mundo. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iria defender os biocombustíveis, como uma das alternativas para conter as emissões de gases nocivos e combater o aquecimento global.

A proposta brasileira foi analisada sob uma perspectiva ecológica pela imprensa internacional. “Brasil é a Arábia Saudita verde”, dizia o diário alemão ‘Der Spiegel’. No entanto, os críticos afirmavam que o avanço da agricultura latifundiária transformaria a Amazônia brasileira em uma grande plantação de cana. Outros afirmam que o solo amazônico não é fértil e, portanto, não é adequado para este tipo de exploração. A eterna tensão entre desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente, questões que eu poderia apurar ‘in loco’ dentro de poucas horas.
 
Já no final do trajeto de 3h30 entre São Paulo e Manaus, a revista da companhia aérea fornece última lição filosófica do dia: “Stay hungry. Stay foolish”, dizia uma frase proferida pelo criador da empresa Apple, Steve Jobs.
 
Após alguns momentos de certo pavor (pelo menos da minha parte), a aeronave venceu as densas nuvens de chuva que se formam em Manaus todos os finais de tarde, nesta época do ano, e efetuou um pouso tranqüilo no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.
 
Uma van nos aguardava no local. No trajeto até o hotel, chuva e trânsito, nada muito diferente do que acontece em São Paulo, com exceção de que, segundo o mapa, estávamos no meio da floresta amazônica.
 
Manaus é um grande centro urbano que cresceu no meio da selva. Esta cidade que começou como aldeia indígena e, posteriormente, ganhou visibilidade como entreposto comercial, é hoje a capital do Estado do Amazonas e principal centro econômico da região norte do País.
 
No hotel, tive o primeiro contato com o líder da expedição, Marcelo Skaf. De acordo com a minha breve pesquisa no Google, o cara é ‘foda’.   Formado em oceanografia, ele possui ampla experiência na área de turismo de aventura e já dirigiu a Parque Nacional Marinho de Abrolhos. Ele é mergulhador profissional e já realizou diversas viagens semelhantes em diversas partes do mundo. Após uma breve ducha, reunimos toda a equipe no restaurante do hotel. Fizemos os pedidos e esperamos cerca de duas horas para a chegada dos ‘tão sonhados’ pratos. Essa demora, que poderia provocar irritação, acabou gerando piadas e o ambiente permaneceu descontraído até a hora de dormir, por volta das 23h30, horário local.


 




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