OLIMPÍADAS ANTERIORES

ATENAS

Los Angeles-1984 |
de 28 de julho a 12 de agosto

  • Países participantes:140
  • Atletas masculinos:5263
  • Atletas femininos:1566
  • Total de atletas participantes:6829
  • Modalidades disputadas:23

O que é isso, companheiros?

A União Soviética, capitã do time do lado esquerdo, organiza uma Olimpíada e os Estados Unidos, que mandam no lado direito, fazem de tudo para que nenhum de seus comparsas participe. Quatro anos depois, quem recebe os Jogos são os norte-americanos, e adivinhe o que acontece? Desta vez, claro, quem boicotaria seriam os soviéticos, que arrastaram consigo o resto do bloco comunista.

O amigo mais sagaz há de se perguntar: mas, se o COI e o resto do planeta sabiam da picuinha entre os dois lados, por que diabos organizar duas Olimpíadas consecutivas, uma em cada uma das potências? A resposta está na desastrada e deficitária organização de Montreal para os Jogos de 1976. Depois do prejuízo de cerca de US$ 2 bilhões com o qual a cidade canadense teve que arcar, ninguém mais quis ouvir falar de receber a competição. Para 1980 e 1984, respectivamente, Moscou e Los Angeles foram candidatas únicas. Essa coisa de as cidades se estapearem (e fazerem lobby, e comprarem votos?) para conseguir sediar a Olimpíada só recrudesceu justamente depois de Los Angeles-1984, que teve um êxito financeiro sem precedentes.

Os norte-americanos utilizaram ao máximo as instalações que já existiam e, principalmente, não quiseram saber de dinheiro público: grandes empresas como McDonald’s e Coca-Cola foram os que tiveram que colocar a mão no bolso. As cotas publicitárias pagaram a conta e geraram um lucro de mais de US$ 200 milhões, o maior da história. Aquela Olimpíada deu cara ao formato adotado pelo COI até hoje – de se garantir cobrando (e muito) dos patrocinadores privados – e serviu de presságio para se saber qual modelo sobreviveria no planeta, se o capitalista ou o socialista.

Diferente do que acontecera em Moscou, o boicote aos Jogos de Los Angeles não chamou a atenção por diminuir o número de países participantes – que foram 140, um recorde –, mas sim por influir bastante no nível técnico de muitas provas. Para que se tenha uma idéia, as 14 nações que se recusaram a ir aos EUA haviam conquistado 58% das medalhas de ouro em disputa em Montreal-1976.

Quanto mais o pessoal boicotava, mais o Brasil aproveitava para aumentar seu retrospecto olímpico e chegar mais perto da imagem de potência olímpica com a qual sonhamos até hoje. Em Los Angeles, foram oito medalhas, coroadas com o ouro de Joaquim Cruz nos 800m rasos. O futebol ficou com a medalha de prata, assim como o vôlei masculino, que incluía Renan, Bernard, William e Bernardinho. O judoca meio-pesado Douglas Vieira, o nadador Ricardo Prado nos 400m medley e o barco da classe Soling (com Daniel Adler, Ronaldo Senfft, Torben Grael) também subiram no segundo degrau do pódio. O judô ainda trouxe dois bronzes, de Luís Onmura e Walter Carmona.


  • Classificação Final
  • Medalha de Ouro
  • Medalha de Prata
  • Medalha de Bronze
  • TOTAL
  • 1Estados Unidos
  • 83
  • 61
  • 30
  • 174
  • 2Romênia
  • 20
  • 16
  • 17
  • 53
  • 3Alemanha Ocidenal
  • 17
  • 19
  • 23
  • 59
  • 4China
  • 15
  • 8
  • 9
  • 32
  • 5Itália
  • 14
  • 6
  • 12
  • 32
  • 6Canadá
  • 10
  • 18
  • 16
  • 44
  • 7Japão
  • 10
  • 8
  • 14
  • 32
  • 8Nova Zelândia
  • 8
  • 1
  • 2
  • 11
  • 9Iugoslávia
  • 7
  • 4
  • 7
  • 18
  • 10Coréia do Sul
  • 6
  • 6
  • 7
  • 19

Veja o quadro geral de todas as Olimpíadas


Fogo na pira! | 10 fatos que marcaram aqueles Jogos
  • 01
  • Depois de muito bate-boca, FIFA e COI chegaram a um acordo, e foi permitida a participação de jogadores profissionais no futebol, desde que nunca tivessem disputado uma Copa do Mundo. Com isso, o Brasil, comandado por Jair Picerni, fez do Internacional de Porto Alegre sua base e finalmente estreou no quadro de medalhas. Contando com Dunga, Mauro Galvão, Gilmar Rinaldi e algumas peculiaridades saudosas como Pinga e Gilmar Popoca, chegamos à final, mas fomos derrotados pela França por 2 x 0.
  • 02
  • A maior história dos Jogos, para o público norte-americano, foi a luta de Carl Lewis para repetir o feito de Jesse Owens em Berlim-1936 e conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo. Lewis conseguiu o objetivo, vencendo exatamente as mesmas provas que o mito: 100m e 200m rasos, revezamento 4x100m e salto em distância.
  • 03
  • A idéia de que as mulheres não agüentavam correr longas distâncias demorou a se desfazer: apenas desde 1972 o COI havia incluído os 1500m – até então, eram apenas até 800m. Em Los Angeles, tudo mudou: teve, pela primeira vez, maratona feminina. A norte-americana Joan Benoit foi a vencedora, mas a responsável pela imagem inesquecível foi a suíça Gabrielle Andersen-Scheiss: exausta, com a perna direita quase imóvel e o braço esquerdo pendurado do corpo como se não fosse seu, ela levou 5 minutos e 44 segundos se arrastando para dar a última volta na pista do estádio. Cruzou a linha de chegada 20 minutos depois da vencedora e virou presença certa em todo clipe dos Jogos que quer emocionar o telespectador.
  • 04
  • No basquete, os profissionais da NBA só seriam permitidos a partir de Barcelona-1992, mas o time dos EUA que se tornou campeão com facilidade - derrotando os adversários por uma média de 32 pontos de vantagem – já tinha em seu elenco três jogadores que integrariam o dream team: Patrick Ewing, Chris Mullin e um certo garoto da Universidade da Carolina do Norte de nome Michael Jordan. Ele foi o cestinha da equipe na campanha, com média de 17 pontos por partida.
  • 05
  • Filho de pai alcoólatra e mãe prostituta, Edwin Moses já era um imenso vencedor por ter conseguido uma bolsa de estudos – por suas notas, não pelo atletismo – no Morehouse College. Em 1976, na primeira competição internacional de sua carreira, ele conquistou o ouro nos 400m com barreiras em Montreal. A partir daí, tornou-se imbatível: entre 1977 e 87, Moses venceu 122 corridas consecutivas, incluindo o ouro em Los Angeles, onde ele foi o escolhido para proferir o juramento dos atletas na cerimônia de abertura.
  • 06
  • Em Moscou-1980, os britânicos Sebastian Coe e Steve Ovett protagonizaram uma briga interessante nos 800m e 1500m - nas quais cada um levou um ouro. Quatro anos depois, ambos tiveram que lidar com problemas de saúde: Ovett sofria de um quadro sério de bronquite e, após chegar em 8º quando tentava defender o título dos 800m, desmaiou e passou duas noites no hospital. Já Coe teve sucesso em sua luta contra um nódulo linfático que baixava tremendamente sua resistência: superou-se nos 1500m e passou a ser o único bicampeão dessa prova na história.
  • 07
  • Com 2,01m de altura e uma envergadura de 2,11m com os braços abertos, o “Albatroz” Michael Gross, da Alemanha Ocidental, foi a principal atração das piscinas de Los Angeles, com duas medalhas de ouro (200m livre e 100m borboleta) e duas de prata (4x200m livre e 200m borboleta). Mas o dado mais curioso veio nos 400m livre com outro alemão: Thomas Fahrner venceu a “final B” – que define do 9º ao 16º lugar – com um tempo melhor do que o conseguido pelo medalha de ouro George DiCarlo na verdadeira final.
  • 08
  • Quando sofreu um acidente de moto e ficou paraplégica, a neozelandesa Neroil Fairhall jamais poderia pensar que um dia se dedicaria profissionalmente ao esporte e menos ainda que disputaria uma Olimpíada. Até que ela decidiu praticar arco-e-flecha e, numa época em que os Jogos Paraolímpicos ainda não existiam, se tornou o primeiro atleta deficiente físico a participar de uma Olimpíada. Atirando de sua cadeira de rodas, Neroli terminou em 35º.
  • 09
  • Um dos mais premiados compositores de trilhas sonoras do cinema, John Williams foi o autor do Olympic Fanfare & Theme, o tema oficial daquela edição dos Jogos, que recebeu o Grammy de melhor composição instrumental.
  • 10
  • O McDonald’s criou a promoção “Quando os EUA ganham, você ganha”: uma raspadinha em que o consumidor tirava o nome de uma prova e ganhava prêmios se os norte-americanos tivessem conquistado medalha naquele evento: ouro valia um Big Mac; prata, uma batata frita e bronze, uma Coca-Cola. Com o boicote soviético, a lanchonete acabou gastando muito mais dinheiro do que esperava, já que os EUA conquistaram absurdas 174 medalhas. O episódio ficou tão famoso que foi parodiado num episódio dos Simpsons (em que o palhaço Krusty abre uma lanchonete e perde US$ 44 milhões de dólares por causa do boicote).
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