OLIMPÍADAS ANTERIORES

ATENAS

Munique-1972 | de 26 de agosto a 11 de setembro

  • Países participantes:121
  • Atletas masculinos:6075
  • Atletas femininos:1059
  • Total de atletas participantes:7134
  • Modalidades disputadas:23

Quando setembro chegou

Eles fizeram de tudo para embelezar sua imagem quanto podiam, mas realmente os alemães não dão sorte com essa coisa de receber Jogos Olímpicos. Quando a Olimpíada alemã não fica marcada com o nazismo – como Berlim-1936 -, é com o terrorismo. Uma das brigas mais antigas da história do planeta teve um de seus capítulos cruciais em Munique-1972. Nunca tanta gente no mundo havia voltado os olhos para os Jogos Olímpicos, gostasse de esporte ou não.

Nem o comitê organizador conseguia acreditar em quanto as coisas vinham correndo bem. Aqueles que foram anunciados para o mundo como “os Jogos felizes” bateram todos os recordes de participação, com mais de 7 mil atletas de 121 países disputando 195 provas – várias delas num espetacular parque olímpico. Pela primeira vez a competição tinha um mascote: o cachorro Waldi, um dachsund (cientificamente conhecido como “salsicha”, ou ainda “Cofap”).

Foi assim mesmo, plácida e grandiosa, que a Olimpíada viveu seus primeiros dez dias, até fechar os olhos e esperar 5 de setembro chegar. Naquela madrugada, oito terroristas palestinos do grupo Setembro Negro invadiram a Vila Olímpica e tomaram como reféns 11 membros da delegação israelense. Durante 18 horas de tensão, dois dos atletas foram mortos ali mesmo. Uma duvidosa operação da polícia alemã – daquelas à la ônibus 174 – resultou na transferência do grupo até um aeroporto, onde supostamente os seqüestradores rumariam para algum país árabe. Mas era uma emboscada: os policiais abriram fogo contra os terroristas, que por sua vez mataram os outros oito atletas de Israel. Saldo final: morreram todos menos um dos palestinos, Jamal Al-Gashey, foragido até hoje. Os Jogos Olímpicos – e sua segurança, e seu valor político, e a filmografia de Steven Spielberg – não seriam nunca mais os mesmos depois do Massacre de Munique.

O desastre todo suspendeu a Olimpíada durante 34 horas, até o dia seguinte à matança, quando 80 mil pessoas se juntaram no estádio olímpico para lembrar os mortos. Lá, ouviram a frase de Avery Brundage, presidente do COI, que solidificava a posição do movimento olímpico diante do que quer que viesse: “Os Jogos têm que continuar”. Apesar.


  • Classificação Final
  • Medalha de Ouro
  • Medalha de Prata
  • Medalha de Bronze
  • TOTAL
  • 1URSS
  • 50
  • 27
  • 22
  • 99
  • 2Estados Unidos
  • 33
  • 31
  • 30
  • 94
  • 3Alemanha Oriental
  • 20
  • 23
  • 23
  • 66
  • 4Alemanda Ocidental
  • 13
  • 11
  • 16
  • 40
  • 5Japão
  • 13
  • 8
  • 8
  • 29
  • 6Austrália
  • 8
  • 7
  • 2
  • 17
  • 7Polônia
  • 7
  • 5
  • 9
  • 21
  • 8Hungria
  • 6
  • 13
  • 16
  • 35
  • 9Bulgária
  • 6
  • 10
  • 5
  • 21
  • 10Itália
  • 5
  • 3
  • 10
  • 18

Veja o quadro geral de todas as Olimpíadas


Fogo na pira! | 10 fatos que marcaram aqueles Jogos
  • 01
  • O Brasil, naquilo tudo, com seus 89 representantes, quase não apareceu: voltamos com duas medalhinhas de bronze e nada mais. Nelson Prudêncio retornou ao pódio no salto triplo, e o meio-pesado Chiaki Ishii – avô da também judoca Vânia Ishii – foi o pioneiro das medalhas brasileira no judô.
  • 02
  • Para sorte daquela Olimpíada, houve outro feito notável o suficiente para se tornar histórico diante das circunstâncias. Em 1968, o nadador norte-americano Mark Spitz prometeu que conquistaria seis ouros na Cidade do México, mas voltou apenas com duas, nos revezamentos. Sem prometer nada, em Munique ele foi além: conquistou absurdas sete medalhas de ouro, com sete recordes mundiais: 100m, 200m, 4x100m e 4x200m nado livre, 100m e 200m borboleta e 4x100m medley.
  • 03
  • Outra cena inesquecível: a do jogo de basquete mais controverso da história. Na final masculina entre as potências EUA e URSS, os norte-americanos venciam por 50-49 quando a sirene do fim do jogo soou, mais ou menos no mesmo tempo em que o banco soviético pediu tempo. Houve discussão, e o cronômetro acabou voltando para a marca de 50 segundos - erroneamente, porque seriam menos. A URSS teve a bola, não conseguiu a cesta e os EUA comemoraram a vitória. Foi quando o secretário geral da FIBA, R. William Jones, que em teoria não poderia alterar nada, reclamou de uma falha no recomeço da contagem e exigiu que se dessem mais 3 segundos de jogo. Os árbitros acataram e, do fundo da quadra, o time soviético atirou a bola em direção ao garrafão e, com uma bandeja de Aleksadr Belov, encaçaparam a bola da vitória. Os EUA reclamaram formalmente à FIBA, mas perderam por 3 votos (de Hungria, Polônia e Cuba, comunistas) contra 2 (de Itália e Porto Rico). Os norte-americanos até hoje se recusam a receber a medalha de prata – que continua guardada num cofre na sede do COI.
  • 04
  • O desenvolvimento da Olimpíada já era suficiente para que houvesse estrelas midiáticas, e a ginasta Olga Korbut foi a maior delas em Munique. Grande destaque da URSS medalha de ouro na prova por equipes, no dia seguinte à vitória ela cometeu três erros graves na final individual e desatou a chorar na frente de todos – quando ganhou um ramo de flores de um torcedor. No dia seguinte, na final por aparelhos, Olga estava de volta: levou dois ouros e uma prata e deu final feliz à novela mais acompanhada pelos fãs no mundo inteiro. De volta à sua casa em Grodno, na Bielorrússia, Olga Korbut recebeu tantas cartas – mais de 20 mil em um ano – que a prefeitura dedicou um carteiro exclusivamente para sua correspondência.
  • 05
  • Vencedor e segundo colocado nos 400m rasos, os norte-americanos Vincent Matthews e Wayne Collett, que eram negros, foram acusados de não dar bola à execução do hino do país durante a cerimônia de premiação. Teriam permanecido distraídos, piparoteando as medalhas e fazendo gracejos um para o outro. Traumatizado pelo protesto Black Power de Tommie Smith e John Carlos na Olimpíada anterior, o COI baniu os dois atletas dos Jogos para o resto de suas vidas. Os dois juraram que não havia nada de protesto e que não haviam feito nada de propósito, mas não houve maneira: os EUA sequer disputaram o revezamento 4x400m, por falta de atletas.
  • 06
  • O norte-americano Frank Shorter sabia que estava fazendo uma grande maratona quando se aproximou do estádio olímpico. Por isso, não entendeu nada quando entrou pelos portões e viu um sujeito à sua frente e os gritos da torcida se transformando em vaias. O sujeito era o estudante alemão Norbert Sudhaus, que pregou uma peça em meio mundo quando, vestido de atleta, entrou no estádio, fingindo ser o líder. Os juízes perceberam o embuste e tiraram o impostor da pista. Quando finalmente entendeu o que tinha acontecido, Shorter já estava cruzando a linha, comemorando sua medalha de ouro.
  • 07
  • Além do 5 de setembro trágico, há quem diga que houve outra tentativa de ação terrorista. No dia 11 de setembro, um pequeno avião teria sido roubado em Stuttgart, e autoridades alemãs teriam sido informadas de que terroristas árabes pretendiam soltar uma bomba durante a cerimônia de encerramento. O ministro da Defesa Georg Leber teria deixado dois caças de sobreaviso para abater a aeronave caso esta se aproximasse de Munique. Conta-se que o contato por radar com o avião foi perdido e que nunca mais ninguém encontrou ou ouviu falar do tal avião roubado.
  • 08
  • Foi como um meteoro passando por Munique, só que aquático: a australiana Shane Gould, de 15 anos, era recordista mundial dos 100, 200, 400, 800 e 1500m nado livre. Naqueles Jogos, ela foi ouro nos 200 e 400m livre e nos 200m medley, além de prata nos 800m e bronze nos 100m livre. No ano seguinte, aos tenros 16, ela se aposentou das piscinas e desapareceu completamente da vida pública. Só nos Jogos de Sydney-2000, já com quatro filhos criados numa fazenda no oeste da Austrália, Shane reapareceu para ser homenageada como heroína olímpica.
  • 09
  • Correndo em 5º lugar na final dos 10.000m, o finlandês Lasse Virén levou um tombo e foi ao chão. Seria motivo para constatar que as coisa não estavam dando muito certo naqueles dias, mas não foi bem assim: ele levantou, sacodiu a poeira e deu a volta por cima, levando o ouro e ainda batendo o recorde mundial. Dez dias depois, ele venceria também os 5.000m e em Montreal-1976 se tornaria bicampeão das duas distâncias.
  • 10
  • Quatro anos antes, Liselott Linsenhoff, da Alemanha Ocidental, havia se tornado a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro no hipismo, quando fez parte da equipe de adestramento de seu país. Em Munique, 20 anos depois de o esporte ser aberto às mulheres, foi a vez de fazê-lo de forma individual: ela ganhou a prova e mudou de vez a imagem das amazonas nas provas sobre o cavalo.
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