OLIMPÍADAS ANTERIORES

ATENAS

Helsinque-1952 |
de 19 de julho a 3 de agosto

  • Países participantes:69
  • Atletas masculinos:4.436
  • Atletas femininos:519
  • Total de atletas participantes:4.955
  • Modalidades disputadas:17

A era do gelo

Com o fim da Segunda Guerra e o estabelecimento de uma nova ordem, a Humanidade perdeu suas matizes. No fundo, ninguém mais escolhia ser monarquista, neo-gótico, roqueiro ou corintiano. As opções eram só duas: ou você era do lado de lá, ou do lado de cá. Estado ou mercado; foice-e-martelo ou cartão-de-crédito-e-televisão. O clima gelado da Finlândia foi o palco propício para os primeiros Jogos Olímpicos disputados sob a divisão política que marcaria as décadas seguintes: era tempo de Guerra Fria.

Nesse cenário em que qualquer decisão tinha significado político – e, se não tivesse, passava a ter -, o COI prudentemente adotou o modelo que sobrevive até hoje para eleger as cidades-sede: as candidatas se enfrentam em votações seguidas dentro da entidade, até que haja maioria a favor de uma delas. Helsinque, que deveria ter recebido os Jogos de 1940 cancelados devido à Guerra, derrotou Amsterdã, Atenas, Estocolmo, Lausanne e cinco cidades dos Estados Unidos.

Antes de se tornar estampa de casacos retro-moderninhos, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) era a nação que liderava com mão (e Cortina) de ferro o bloco socialista. Em 1952, o pais participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos, que seriam uma de suas grandes vitrines para o mundo. E desde o começo os soviéticos mostraram a que vinham, em todos os aspectos: foram alojados numa Vila Olímpica separada, por temor de problemas diplomáticos, e terminaram com o segundo lugar no quadro de medalhas - atrás, presumivelmente, dos Estados Unidos. Não era por acaso que, durante quase 40 anos, também no esporte os dois países passariam a ser conhecidos simplesmente como “as potências”.

Para os brasileiros, Helsinque ficou marcada como o palco para a segunda medalha de ouro de nossa história: 32 anos depois do atirador Guilherme Paraense, Adhemar Ferreira da Silva quebrou seu próprio recorde mundial do salto triplo quatro vezes seguidas e conquistou o primeiro de seus dois títulos olímpicos. Os bronzes de José Telles da Conceição no salto em altura e Tetsuo Okamoto, vulgo “peixe voador”, nos 1500m nado livre completaram o digno desempenho do Brasil no quadro de medalhas.


  • Classificação Final
  • Medalha de Ouro
  • Medalha de Prata
  • Medalha de Bronze
  • TOTAL
  • 1Estados Unidos
  • 40
  • 19
  • 17
  • 76
  • 2URSS
  • 22
  • 30
  • 19
  • 71
  • 3Hungria
  • 16
  • 10
  • 16
  • 42
  • 4Suécia
  • 12
  • 13
  • 10
  • 35
  • 5Itália
  • 8
  • 9
  • 4
  • 21
  • 6Checoslováquia
  • 7
  • 3
  • 3
  • 13
  • 7França
  • 6
  • 6
  • 6
  • 18
  • 8Finlândia
  • 6
  • 3
  • 13
  • 22
  • 9Austrália
  • 6
  • 2
  • 3
  • 11
  • 10Noruega
  • 3
  • 2
  • 0
  • 5

Veja o quadro geral de todas as Olimpíadas


Fogo na pira! | 10 fatos que marcaram aqueles Jogos
  • 01
  • Uma medalha de ouro nos 10.000m e uma prata nos 5.000m da Olimpíada de Londres-1948 já seriam suficientes para o checoslovaco Emil Zátopek ser considerado um grande fundista, mas a fama de “locomotiva humana” se justificou plenamente foi em Helsinque: ganhou suas duas provas e ainda arriscou disputar, pela primeira vez na vida, uma maratona. Venceu-a também e gravou seu nome na história olímpica. Membro influente da ala democrática do Partido Comunista, ele participou das revoltas conhecidas como Primavera de Praga e acabou sendo condenado a trabalhar numa mina de urânio até o fim do regime, em 1989. Após morrer aos 78 anos, em 2000, Zátopek recebeu do COI a medalha Pierre de Coubertin do espírito olímpico.
  • 02
  • Nossa delegação, que adorava um bom rega-bofe, voltou impressionada com a organização dos finlandeses e, em especial, com a comida. O major Sylvio de Magalhães Padilha, chefe da missão brasileira (porque na época se chamava assim), desfiou elogios ao cardápio em seu relatório e ao inovador sistema self-service.
  • 03
  • O Japão e a Alemanha, depois de terem sido banidos de Londres-1948, retornaram aos Jogos. A República Federal da Alemanha – mais famosa como Alemanha Ocidental – participou, ganhou 24 medalhas, mas, curiosamente, nenhuma de ouro. A República Democrática da Alemanha, comunista, já tinha um comitê olímpico, mas não enviou atletas. O Estado de Israel, que havia sido oficialmente criado em 1949, também participou pela primeira vez.
  • 04
  • O ouro em Helsinque-1952 foi o momento em que o mundo descobriu a histórica seleção húngara de futebol, de Kocsis, Puskas e cia. A campanha do título olímpico foi parte de um período em que a Hungria ficou 32 jogos invicta – série que escolheu uma hora ruim para terminar, na final da Copa do Mundo de 1954, contra a Alemanha.
  • 05
  • Sabe-se lá por que razão, a seleção da Índia de futebol disputou sua partida da primeira fase, contra a Iugoslávia, sem chuteira. Com bolhas, frieiras, hipotermia e o que mais viesse, os indianos sofreram e voltaram para casa sacolejados: 10 x 1.
  • 06
  • Pela primeira vez, as mulheres puderam competir contra os homens na prova de adestramento do hipismo. A primeira heroína foi a dinamarquesa Lis Hartel: vitima de poliomielite aos 23 anos, ela teve o corpo paralisado abaixo do joelho. Apesar disso, mesmo com a necessidade de ajuda para subir e descer do cavalo, Hartel conquistou a medalha de prata – feito que repetiria quatro anos depois em Melbourne.
  • 07
  • Campeão do salto com vara, o Reverendo Bob Richards, que era professor de teologia na Califórnia, fez sua parte para tentar quebrar um pouco o gelo da Guerra Fria: ele liderou uma delegação não-oficial dos EUA que visitou a concentração da equipe soviética e confraternizou com os inimigos de regime.
  • 08
  • A norte-americana Patrícia McCormick foi a única mulher a vencer as duas provas – de trampolim e plataforma – nos saltos ornamentais. Ela repetiria o feito em Melbourne-1956, apenas oito meses depois do nascimento de seu filho.
  • 09
  • Nos Jogos de Paris-1924, Bill Havens foi escolhido para participar da equipe de remo dos Estados Unidos, mas recusou o convite porque a competição calhava de ser justo quando sua esposa daria à luz o filho do casal, Frank. Vinte e oito anos depois, Frank Havens realizou o sonho olímpico do pai e levou o ouro nos 10.000m da canoagem.
  • 10
  • Com algo de sorte, o carpinteiro sueco Lars Hall se tornou o primeiro sujeito não-militar a vencer o pentatlo moderno: na prova do hipismo, o sorteio lhe reservou um cavalo manso demais. Lars pediu um substituto e acabou com um bichinho tão rápido que precisava se esforçar para não cair. Ele se agüentou e ficou com a medalha de ouro, que repetiria na Olimpíada seguinte.
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