25/08 - 18:25hs
Brasileiros protagonizam festival de desculpas inusitadas
Frio em Pequim, mudança de roupas, barulho de crianças e medo de altura estão entre justificativas para derrotas na China
Daniel Dias, repórter do iG Esporte
SÃO PAULO - Terminada a Olimpíada de Pequim, diversos atletas brasileiros fizeram avaliações sobre as suas participações na competição. O iG Esporte, por sua vez, resolveu relembrar algumas delas, em especial daqueles que não conquistaram medalhas, mas que tinham na ponta da língua a explicação para o desempenho abaixo do esperado.
Muitos atletas reclamaram do forte calor do verão em Pequim, que chegou a registrar temperaturas superiores aos 40 graus. A maratonista Marily dos Santos, entretanto, parece ter feito o seu treinamento esperando temperaturas ainda maiores. "Estava muito frio para mim. Precisava de um pouco mais de calor e isso atrapalhou”, explicou a brasileira, que terminou em 51ª na maratona feminina.
Ainda no atletismo, o velocista brasileiro Sandro Viana foi outro a se incomodar com o ambiente chinês. Ele reclamou das “gracinhas” do jamaicano Usain Bolt com os adversários, do fuso-horário e das crianças chinesas... exatamente, das crianças. “O público aqui pela manhã não está muito educado, muitas crianças, impossível manter o silêncio necessário para a largada”, disse Viana ao iG Esporte, após uma das eliminatórias para os 200 metros rasos — naquele momento, cerca de 90 mil espectadores assistiam às provas de atletismo no estádio Ninho do Pássaro.
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EFE |
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Sandro Viana reclamou das |
Já no quesito vestuário, dois destaques. O traje de natação projetado pela Nasa para uma empresa de materiais esportivos foi considerado revolucionário. Para muitos, os recordes quebrados na piscina de Pequim tiverem grande ajuda dele. Para a brasileira Joanna Maranhão, entretanto, só piorou. “O maiô é muito apertado. Só fechei o zíper na hora de nadar. Para mim esse negócio apertado não dá certo não. Atrapalhou nas braçadas”, avaliou a nadadora, que não passou das semifinais nas três provas das quais participou em Pequim.
A seleção brasileira de futebol masculino, por sua vez, conquistou o bronze, mas decepcionou novamente, já que o sonho do ouro olímpico continua. Para o técnico Dunga, o fato da equipe não ter sido liberada para usar a camisa oficial da Seleção, com o escudo da CBF, mexeu no lado psicológico dos atletas. “Uma hora podia jogar com o escudo da CBF, outra não podia. Isso incomodou os jogadores”.
Por fim, a reclamação do atleta Mário Santos, que terminou na 41º colocação na prova de marcha atlética de 50km. “Pela primeira vez vejo piso de tartan numa prova, tínhamos que fazer o dobro da força”, resmungou o brasileiro. O curioso é que nessa mesma prova o italiano Alex Schwazer conquistou a medalha de ouro e bateu o recorde olímpico que já durava 20 anos. Seguindo a análise de Santos, Schwazer deve ter feito o triplo da força.
| EFE |
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| Juliana Veloso revelou que o medo de altura atrapalhou na prova de salto |
Vale o registro de outras reclamações, como a do judoca João Derly criticando a arbitragem após perder a sua luta e ser eliminado, e a da saltadora Fabiana Murer, que reclamou da organização do evento por ter perdido a sua vara. A reclamação da brasileira é justa, mas a medalhista de ouro da prova, a russa Yelena Isinbaeva, garante que não aconteceria com ela: “Fico triste pela Fabiana. Mas eu confiro o meu material antes e depois das provas, e deixo tudo bem trancado. Não posso confiar somente na organização”, afirmou a recordista à TV Globo. Fica o aprendizado para a brasileira.
O Brasil conquistou 15 medalhas em Pequim, mas se houvesse uma modalidade chamada “Desculpas Olímpicas”, já saberíamos qual país ganharia o ouro, e com louvor.
Veja as explicações brasileiras em Pequim:
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