24/08 - 10:20hs
Cuba tem pior desempenho olímpico em 44 anos
A 'Ilha' fica atrás do Brasil no quadro geral de medalhas depois de 48 anos
Por Mauricio Teixeira, especial para o iG Esporte
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PEQUIM (China) – Quando os dois pugilistas cubanos finalistas do boxe foram derrotados neste domingo, nas suas lutas pela medalha de ouro, Cuba fechou o mais fraco capítulo de sua história olímpica recente. A delegação terminou a Olimpíada de Pequim com duas medalhas de ouro, onze de prata e onze de bronze, ficando na 28ª colocação geral, cinco posições atrás do Brasil.
O resultado é o pior desde 1964, nos Jogos de Tóquio, quando os cubanos levaram apenas quatro medalhas de prata de volta para o Caribe. Mais significativo ainda, Cuba perdeu uma liderança de muitos anos na América Latina, ficando atrás do Brasil, e até no Caribe, já que os jamaicanos fecharam em 13º no geral.[
| Reuters |
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| Carlos Banteaux, de Cuba, aguarda o início da cerimônia em que receberá a prata |
"O povo cubano não se sente bem porque está acostumado às vitórias de Cuba desde 1976, com medalhas de ouro", disse ao iG Miguel Hernadez Mendez, jornalista especialista em Olimpíada do jornal Granma. Mendez refere-se à campanha nos Jogos de Montreal, quando Cuba deu um salto qualitativo ficando com seis medalhas de ouro.
O auge cubano aconteceu em Barcelona 1992, depois da decisão de Fidel Castro de boicotar duas Olimpíadas, a de Los Angeles 1984 e a de Seul 1988. Em terras espanholas, os atletas cubanos ganharam 31 medalhas, sendo 14 de ouro.
Tanto o sucesso em 1992 quanto a queda em 2008 têm uma mesma explicação principal: o boxe. "O boxe é o esporte que catapulta Cuba. Sofremos em dezembro de 2006 e julho de 2007 cinco deserções. São cinco campeões olímpicos que seguramente conquistariam medalhas de ouro", disse Mendez, sobre a indústria que leva pugilistas cubanos para competir profissionalmente fora da Ilha.
Além do boxe, Cuba teve baixo rendimento no beisebol, nas lutas e no judô. No Taekwondo, o mau momento acabou simbolizado pelo nervosismo de um lutador cubano numa das imagens mais marcantes dos jogos até aqui. Angel Valodia Matos, campeão olímpico em 2000, perdeu a cabeça ao ser eliminado na luta pelo bronze e acertou o juiz com um chute no rosto. Foi eliminado do esporte.
Cuba x Brasil
O Brasil, que também teve rendimento inferior ao obtido em Atenas há quatro anos, conseguiu terminar à frente de Cuba pela primeira vez desde 1960, na Olimpíada de Roma. Na ocasião o Brasil terminou com dois bronzes enquanto os cubanos passaram em branco.
"Foi um mito ultrapassado", disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro Carlos Arthur Nuzman, sobre terminar à frente dos caribenhos. O Brasil terminou com três ouros, quatro pratas e oito bronzes. No total de medalhas, os cubanos ainda terminaram à frente dos brasileiros.
Há um ano, os cubanos haviam derrotado o Brasil no quadro de medalhas no Pan-Americano do Rio de Janeiro de 2007 com 60 ouros contra 57 dos donos da casa.
Para o especialista cubano, nenhum motivo para pânico. "Não é uma ameaça (o Brasil), é um mau momento (de Cuba). Não podemos chegar a conclusões definitivas com base em maus momentos. É um parêntesis." Ele ainda acredita em virada. "Fizemos um prognóstico errado. Isso provoca uma reflexão, uma revisão importante nos aspectos técnicos e táticos do esporte no país", afirmou Mendez, que terminou com uma frase pronta.
"No hay mal que por bien no venga", finalizou. Em bom português: "Há males que vêm para o bem".
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