24/08 - 13:13hs

Com menos ouro, Brasil leva de Pequim medalhas 'históricas'
Embora tenham conquistado menos ouro do que em Atenas, brasileiros ganharam medalhas inéditas na história do país

Redação iG Esporte com agências

 

PEQUIM (China) - O desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim teve um lado positivo e outro negativo. Se não superou os resultados da edição de quatro anos atrás, em Atenas, ele ficou marcado pelas conquistas inéditas do país, como as medalhas de ouro na natação, no atletismo e no vôlei feminino.

Com três medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze, a delegação brasileira se destacou entre as principais forças da América Latina, encerrando a competição à frente de potências como Cuba, que ficou apenas duas vezes no lugar mais alto do pódio na capital chinesa.

O número de 15 medalhas no total foi o maior que o Brasil já conseguiu em uma edição dos Jogos, empatado com a Olimpíada de Atlanta, em 1996. O maior número de ouros brasileiros, contudo, continua sendo o da Olimpíada de Atenas, em 2004.

O fato de ter superado Cuba, portanto, deve-se mais ao declínio da ilha do que de uma evolução brasileira. Isto se deveu principalmente aos pugilistas cubanos, que, apesar de terem chegado a oito semifinais no boxe, não conseguiram nenhum ouro — encerrando a hegemonia do país no esporte.

A grande conquista de Cuba foi a confirmação da boa fase do corredor Dayron Robles, ouro nos 110m com barreiras. Em comparação com Atenas, em 2004, Cuba teve sete ouros a menos na edição deste ano.

No quadro de medalhas, o Brasil terminou em 23º, cinco posições acima da delegação cubana.

Mulheres no pódio
Pequim entrou para a história do esporte feminino do Brasil. Na capital chinesa, para começar, a judoca Ketleyn Quadros conquistou o bronze e se tornou a primeira brasileira a levar medalha em esportes individuais Jogos Olímpicos.

Já Maurren Maggi subiu ao lugar mais alto do pódio no salto em distância e deixou seu nome gravado na história do esporte como a primeira brasileira medalhista de ouro em modalidades individuais nos Jogos Olímpicos.

Arte/iG Esporte
Maurren saltou brilhantemente e celebrou a medalha inédita para o país

A seleção feminina de vôlei superou o trauma de Atenas e também trouxe um ouro inédito para o Brasil, ao derrotar na final do torneio as americanas.

Único medalhista de ouro entre os homens, César Cielo deixa Pequim como o primeiro nadador do Brasil a vencer uma prova em Jogos Olímpicos.

Getty Images
Cielo levou o ouro, quebrou o recorde olímpico e emocionou a todos ao chorar durante o hino nacional

Os brasileiros se destacaram também como treinadores. Nélio Moura, técnico de Maurren Maggi, participou da preparação do panamenho Irving Saladino, que em Pequim conquistou o primeiro ouro de seu país. Foi a única medalha do Panamá na China.

Comparação continental
Entre os 12 países latino-americanos que tiveram medalhas nos Jogos de Pequim também estão Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Jamaica, México, República Dominicana, Trinidad e Tobago e Venezuela.

Os velocistas fizeram a diferença para a Jamaica. Todas as medalhas do país vieram desta modalidade. No total, foram seis ouros, três pratas e dois bronzes, com destaque para Usain Bolt, campeão e recordista mundial nos 100m e 200m e integrante da equipe vencedora no revezamento 4x100m.

Os jamaicanos foram os melhores da região e encerraram os Jogos na 13º colocação no quadro de medalhas.

Já os argentinos repetiram o desempenho de Atenas com dois ouros e dois bronzes. A equipe masculina de futebol — com Messi, Riquelme e Agüero — conseguiu o bicampeonato da competição. Na final, eles derrotaram a Nigéria por 1 a 0 com lindo gol de Di Maria.

O hino argentino também tocou no pódio da prova de Madison do Ciclismo, após a vitória da dupla Juan Esteban Curuchet e Walter Fernando Pérez.

No entanto, o time de basquete, campeão quatro anos atrás, deixou Pequim com o terceiro lugar. O time liderado por Manu Ginóbili caiu nas semifinais diante dos americanos e, na decisão do bronze, bateu a Lituânia.

As argentinas do hóquei sobre grama repetiram o resultado de Atenas e também terminaram em terceiro lugar.

A Argentina terminou em 34º no quadro de medalhas, na condição de quarto melhor país da América Latina.

Logo abaixo, em 36º, ficaram os mexicanos, que demonstraram força no Taekwondo, modalidade na qual conquistaram dois ouros com Guilhermo Perez, na categoria masculina até 58 kg, e Maria del Rosário Espinoza, na categoria feminina acima de 67 kg.

O México levou ainda um bronze, no nado sincronizado feminino, na plataforma de 10m, com a dupla Paola Espinosa e Tatiana Ortiz.

Os dominicanos conseguiram apenas uma medalha dourada, com o pugilista Félix Diaz, na categoria até 64 kg. Além disso, alcançaram uma prata no Taekwondo masculino.

Assim como nos Jogos de 2004, o Chile entra para o quadro de medalhas graças ao tênis masculino. Contudo, na Grécia os chilenos levaram dois ouros e um bronze. Já em Pequim, foi apenas uma prata, com Fernando Gonzalez, no torneio de simples, perdendo na final da competição para o espanhol Rafael Nadal, número um do mundo.

Colômbia, Equador, Trinidad e Tobago e Venezuela não levaram nenhuma medalha de ouro, mas não passaram em branco em 2008.

(Com Efe)

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