23/08 - 12:10hs
Atletas demais, medalhas de menos
Delegações enxutas como a da Geórgia têm aproveitamento melhor que o Brasil nos Jogos de Pequim
Flavio Gomes e Nara Alves, de Pequim
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PEQUIM (China) - Se o único critério para avaliar o desenvolvimento esportivo de um país fosse o número de medalhas obtidas em Olimpíadas, o Brasil talvez tenha trazido a Pequim mais atletas do que deveria.
A relação entre o número de medalhas conquistadas na China e o tamanho da delegação brasileira em número de atletas é de 0,05 — resultado da divisão do número de medalhas, 15, pelo total de atletas, 277. Em outras palavras: cada atleta do Brasil levou para casa 5% de uma medalha, o mesmo que em Atenas/2004 — onde o país foi representado por 247 atletas e ganhou 10 medalhas.
O aproveitamento brasileiro é o mesmo que o da Argentina e quase quatro vezes menor que o dos EUA, em que cada atletas "teve direito" a 17% de uma medalha, no final. Delegações enxutas como a da Geórgia, por exemplo, que trouxe apenas 35 competidores a Pequim, têm aproveitamento tão bom quanto o dos americanos. Cada um deles pode se sentir responsável por 17% de cada uma das seis medalhas que o país conquistou.
“A Geórgia é um país pobre, mas tem um time de campeões”, observa a jogadora de vôlei de praia brasileira naturalizada georgiana Andrezza Chagas. O Produto Interno Bruto (PIB) da Geórgia, país que acaba de sair de um conflito com a Rússia, é de US$ 20,4 bilhões — 1,1% do PIB do Brasil, de US$ 1,8 trilhão. “Eles investem muito nos esportes que têm chance de medalha, como judô e luta greco-romana”, explica Andrezza.
Como o Brasil é forte em esportes coletivos, seu índice de “medalhas per capita” acaba caindo bastante. Para conquistar um bronze e uma prata no futebol feminino e masculino, por exemplo, foi preciso inscrever e trazer à China 36 atletas. É mais do que a delegação inteira da Geórgia, que conquistou todas suas medalhas em provas individuais. Seis das medalhas ganhas pelo Brasil em Pequim ficaram nas mãos de esportes coletivos: futebol (feminino/masculino), vôlei (feminino/masculino) e vôlei de praia (modalidade disputada em duplas).
O foco no investimento dá resultados, como se vê. O PIB georgiano é o 110º do mundo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e mesmo assim o aproveitamento do país nos Jogos, na relação medalhas por atleta, acabou sendo maior que o dos Estados Unidos, a nação mais rica do planeta.
Medalhas no Bric
Se comparado com os demais países que formam o Bric (termo criado para designar os quatro principais países emergentes do mundo, Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil se igualaria à Índia e perderia para Rússia e China no cálculo de “medalha per capita” dos Jogos de Pequim. Cada atleta russo levou para casa 13% de uma medalha, e cada representante chinês conquistou 15%.
Coincidência ou não, o Brasil também perde para seus concorrentes do Bric com relação ao PIB. A China tem o segundo maior do mundo, a Índia tem o quarto, a Rússia tem o sétimo e o Brasil, o nono.
| País | Atletas | Medalhas | Média |
| Argentina | 156 | 5 | 0,03 |
| Brasil | 277 | 15* | 0,05 |
| Índia | 55 | 3 | 0,05 |
| EUA | 617 | 107 | 0,17 |
| Cuba | 162 | 22 | 0,13 |
| China | 625 | 96 | 0,15 |
| Azerbaijão | 44 | 7 | 0,16 |
| Geórgia | 35 | 6 | 0,17 |
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