14/08 - 10:54hs

Porta-voz da delegação da Geórgia vira espécie de escudo dos atletas
Giorgi Tchanishvili tenta filtrar assédio da imprensa e afirma, em entrevista ao iG, que alguns atletas perderam parentes e amigos no conflito

Nara Alves, enviada especial do iG


PEQUIM (CHINA) – Os 35 atletas da Geórgia que participam da Olimpíada têm um importante apoio nestes Jogos: o porta-voz da delegação, Giorgi Tchanishvili. Com a declaração de estado de guerra pelo Parlamento georgiano contra a Rússia na última sexta-feira e a intensificação dos conflitos, alguns atletas do país perderam familiares e amigos. Ao mesmo tempo, a delegação passou a receber mais de 20 solicitações de entrevistas por dia. E poucos atletas do grupo falam inglês.

Giorgi, que veio a Pequim para cuidar da demanda da imprensa, transformou-se, da noite para o dia, na única fonte de informação oficial do país sobre as condições dos atletas para as partidas. “Todos os atletas estão muito preocupados. Ligam o tempo todo para suas famílias e amigos. Alguns deles, não quero dizer quantos, perderam pessoas queridas que viviam nas zonas de conflito”, descreve.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de marcar uma entrevista com um dos atletas da delegação, Giorgi pediu compreensão. “É possível falar com eles nos locais de competição, mas eles só falam georgiano e alguns um pouco de russo. Não quero marcar entrevistas porque está muito difícil a nossa situação, entende?”.

O porta-voz explicou que os atletas estão respeitando a decisão do governo georgiano de mantê-los em Pequim. “Eles têm que ficar. Decidiram que eles devem ficar, então eles vão competir pelo país mesmo nervosos. É muita coisa para eles”. Otimista, Giorgi garante que agora a situação está melhorando.

Nesta quinta-feira, autoridades russas anunciaram que começaram a transferir o controle da cidade de Gori, uma das atingidas pelos conflitos, para a Geórgia, o que seria um sinal de trégua. “Isto é muito sério. É nosso futuro”, enfatiza.

“Somos um só time”

Sobre a polêmica envolvendo as brasileiras naturalizadas georgianas que disputam o vôlei de praia pelo país, Christiane Santana e Andrezza Chagas, Giorgi defende que ambas fazem parte da delegação como qualquer outro atleta nascido em solo georgiano. “Somos um só time. Outros países também têm atletas naturalizados e isso é normal”, lembra.

Na última quarta-feira, Chistiane e Andrezza derrotaram as russas Natalia Uryadova e Alexandra Shiryaeva. Na coletiva concedida após a partida, as russas acusaram a dupla georgiana de usar uma bandeira de conveniência. “Não estamos jogando contra um time da Geórgia hoje”, disse Natalia. “Se elas são georgianas, elas teriam certamente sido influenciadas (pelo conflito), mas elas não são”, provoca.

Em resposta, Chistiane ressaltou que se sentia georgiana. “Eu não quero que isso se transforme em uma guerra entre nós”, rebateu Christine.

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