11/07 - 10:53hs
China não mede esforços pelo sucesso de Pequim 2008
Faltando menos de um mês para o início dos Jogos Olímpicos, preocupação com o meio-ambiente ainda gera controvérsias
Por Mariana Canedo, enviada especial do iG
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PEQUIM (China) – Os estádios estão prontos, assim como a Vila Olímpica e os centros de imprensa. Medidas a serem adotadas visando controle da poluição e a ordem pública na capital e em outras províncias da China já foram anunciadas, e o governo vem divulgando os resultados obtidos por iniciativas que começaram há mais tempo. Os investimentos para passar uma boa imagem do país para o resto do mundo são pesados. Até manuais com instruções sobre como se comportar durante as Olimpíadas de Beijing 2008 estão sendo distribuídos para a população. Mesmo assim, a menos de um mês da Cerimônia de Abertura dos Jogos, dúvidas em relação ao meio ambiente persistem.
| Mariana Canedo |
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| A poluição cobria o céu de Pequim há duas semanas |
O Estádio Nacional, conhecido como Ninho de Pássaro, grande ícone dos XXIX Jogos Olímpicos, recebeu certificado de inspeção no dia 28 de junho. No último final de semana, em que o céu de Pequim estava de um azul impressionante para quem se acostumou com a constante névoa de poluição cobrindo a cidade, o estádio recebia inúmeros visitante,s que aproveitavam o dia para tirar fotos em frente à instalação.
O Ministério de Proteção ao Meio Ambiente publica diariamente em seu site o Índice de Poluição do Ar das capitais chinesas. Nesta sexta-feira, nenhum dos índices é superior a 100, índice máximo para que o ar seja considerado sem riscos para a saúde de quem o respira. O API (sigla em inglês) de Pequim está em 85 nesta sexta, e o Ministério publicou na semana passada um documento exaltando os resultados de medidas de controle da poluição.
Nos últimos anos, segundo o órgão, uma série de medidas foi adotada neste sentido. Fábricas, principalmente as produtoras de ferro e as que utilizavam queima de carvão como fonte de energia, tiveram de se mudar para longe da cidade, e os órgãos municipais estabeleceram regras mais rígidas no campo da construção civil. O preço do combustível aumentou, vans e caminhões de entrega foram proibidos de circular pela cidade durante o dia.
Também foram plantadas cerca de 40 milhões de mudas de árvores e flores, para enfeitar pontos-chave da cidade e melhorar a qualidade do ar. No dia 20 de julho, todas as obras da cidade deverão parar até o fim de agosto, e os carros com placas de número par não poderão circular até o dia seguinte, dando início a um rodízio que terá a mesma duração da paralisação das obras. Além disso, três novas linhas de metrô devem ser inauguradas até o final do mês. A expectativa é de que isto colabore para diminuir o número de carros na rua.
| Mariana Canedo |
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| Mudas de flores iguais às plantadas em frente ao Centro Nacional de Esportes Aquáticos |
Além destas iniciativas, vale ressaltar o método utilizado pelas autoridades a fim de provocar chuva. A técnica é utilizada para controlar a umidade do ar, a precipitação e, segundo agências internacionais, também é empregada por outros países. O método consiste no lançamento, da terra ou por avião, de cartuchos com iodeto de prata. A substância acelera a condensação das nuvens e gera uma reação química que libera o hidrogênio. Este, junto ao oxigênio da atmosfera, forma água, e a chuva, por sua vez, ajuda a limpar o céu. Segundo as autoridades, o método não provoca reações maléficas para a saúde, apesar de existirem controvérsias.
Fontes não oficiais e ecologistas de outros países afirmam que o sistema de apuração do índice de poluição, através da escolha dos locais em que os substratos são coletados, favorece a obtenção de um índice de poluição mais baixo que a realidade.
| Mariana Canedo |
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| A Vila Olímpica, cercada de árvores, está pronta para receber os atletas |
Nesta quinta, dia 10, em entrevista coletiva realizada no MPC (Centro Principal de Imprensa) dos Jogos Olímpicos, representantes de comissões pelo desenvolvimento urbano, manutenção do meio-ambiente e qualidade da água responderam a algumas perguntas sobre a qualidade do ar.
Dois pontos interessantes da coletiva, publicada no site oficial do Comitê Organizador de Pequim 2008, foram os questionamentos de jornalistas americanos sobre o método de coleta das amostras para obtenção do índice de poluição do ar. Também surgiram perguntas sobre o possível aumento na jornada de trabalho das obras e indústrias que terão de parar por mais de um mês em função dos Jogos, o que teria deixado o ar ainda mais poluído que o normal.
Em relação à primeira dúvida, foi dito que, em condições de extrema adversidade, algumas providências podem ser tomadas para melhorar a qualidade do ar em um raio de nove quilômetros quadrados, de modo que a API permaneça igual ou inferior a 100. Já em relação à ampliação da jornada de produção das construtoras e indústrias, que têm data certa para parar de produzir, a afirmação foi de que, durante os últimos dias, a qualidade do ar já foi melhor que no período anterior. Em parte por causa das mudanças climáticas, em parte em função de esforços do governo para reduzir as emissões de poluentes.
Uma pessoa ligada ao governo, mas que prefere não se identificar, dá sua opinião sobre a durabilidade dos resultados. "É difícil dizer. Existem muitos projetos inacabados, a cidade cresce muito rápido e as novas construções não param de surgir. Estas construções vão ter de ser acabadas e haverá novas. Eu gostaria de ver céu azul por um ano inteiro, mas não acredito que isto irá acontecer".
A chinesa Liu Yu, de 26 anos, natural da província de Xian, moradora de Pequim há três anos, torce para que as iniciativas não se revelem apenas medidas paliativas para a realização dos Jogos. “É preciso mudar as regras para que um desenvolvimento sustentável realmente aconteça, não apenas para que as pessoas de outros países que vêm visitar a China por causa das Olimpíadas vejam".
População se mobiliza para limpar local das competições de vela
A população da província de Qingdao continua trabalhando para remover as algas que ainda cobrem parte da área onde serão realizadas as competições de vela dos Jogos Olímpicos. Tropas, pescadores e voluntários de todas as idades já removeram quase toda a camada de algas, que cobria quase 50km da área das competições há cerca de dez dias. Segundo comunicado da Administração Estatal dos Oceanos, nesta sexta, 11 de julho, a área afetada no momento é de 679 metros. Apesar da invasão destas algas ser comum em águas poluídas, o órgão afirma que o nível de sal e o calor foram os causadores da proliferação.
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