20/06 - 11:24hs
Nos contrastes de Pequim, Oriente e Ocidente por pouco não se misturam
Cidade corre para alcançar o desenvolvimento pleno, mas população ainda mantém certo distanciamento dos estrangeiros
Por Mariana Canedo, enviada especial do iG
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PEQUIM (China) – Na corrida pelo desenvolvimento, Pequim quase alcança a velocidade da luz. São muitas as opções de entretenimento para todos os gostos, e o happy-hour não tem hora para acabar. As atrações vão desde feiras tradicionais a sofisticados clubes noturnos. Os preços e estilos variam na mesma proporção.
No final da tarde, as ruas ficam lotadas e os bairros começam a ferver. A região de Wangfujin é repleta de grandes lojas de alimentos, produtos eletrônicos, brinquedos, roupas, tecidos e tudo o mais que se puder imaginar. Nestes locais, pode-se barganhar à vontade. Ao norte da rua, fica a feira livre de Donghuamen, que já foi conhecida como a melhor opção de petiscos da cidade.
| Mariana Canedo |
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| A feira de Donghuamen, um ótimo local para "petiscar" escorpiões |
Trata-se de um complexo de “barraquinhas” que vendem aperitivos para uma maioria local e alguns turistas. Existem algumas, mais convencionais, que se limitam a servir camarão, carne, frango e frutas cristalizadas no espeto. Mas outras, mais ousadas, apostam no sucesso de estrelas-do-mar, cavalos-marinhos, escorpiões e até ouriços.
No mesmo horário, na região central de Pequim, chineses mais familiarizados com os padrões ocidentais e estrangeiros que vivem na capital seguem em direção ao The Place, para relaxar depois do trabalho. Este centro empresarial, por sua vez, compreende duas torres com escritórios e um shopping repleto de marcas sofisticadas, como Guess e Zara, e ocupa uma área do tamanho de um quarteirão.
| Mariana Canedo |
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| The Place: maior tela da Ásia |
No centro das duas torres existe um corredor com alguns bares, como o sofisticado CJW. No teto deste corredor há um telão de 2,296m de comprimento e 88m de largura. Nesta tela, que é a maior da Ásia, são exibidas diariamente, a partir das 19h30, imagens do fundo do mar e do espaço sideral.
As diferenças em Pequim continuam à medida que anoitece. Houhai, Nanguoluxiang e Sanlitun são algumas das regiões preferidas para as baladas. A primeiro atrai mais chineses, apesar de ser freqüentada também por estrangeiros, mas eles costumam optar pelos bares e boates das duas últimas regiões.
Contornando o lago Houhai existem estabelecimentos de diferentes estilos, além de uma porção de casas antigas, os famosos “hutongs”, que funcionam como pequenas lojas de artesanato e brechós. A mistura de sons, já que os bares, todos com música ao vivo ou em background, é inevitável em alguns pontos, mas a vista é bastante agradável e pode-se passear de barco no lago até de madrugada. Nos fins de tarde, é possível também passear em volta do Houhai de riquixá, a bicicleta que comporta até três passageiros no banco do "carona".
Já a região de Nanluoguxiang fica nas proximidades do Estádio dos Trabalhadores (Worker’s Stadium) e tem como atrações cafés, bares, boates e arquitetura antiga. A região de Sanlitun não apresenta arquitetura ou decoração antiga, mas sim um grande número de restaurantes e boates mais modernos. Muita música eletrônica e clubes noturnos com mais de um ambiente, como o Suzie Wong, um dos preferidos dos estrangeiros, e o recém-aberto China Doll.
O Klub Rouge, inaugurado há menos de uma semana, fica praticamente entre Sanlitun e Nanluoguxiang, e desde que abriu até agora vem atraindo uma grande maioria de estrangeiros. Não seria tão fácil dizer que se está na Ásia, não fosse pelos bartenders, recepcionistas e garçonetes, todos orientais.
| Mariana Canedo |
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| O Klub Rouge vem atraindo uma grande maioria de estrangeiros |
A chinesa Deng Yun Lun (ou BB, como é conhecida e prefere ser chamada), 31 anos, nascida em Taiwan e moradora de Pequim há seis anos, abriu uma casa noturna em um barco no rio Lian Ma, nas proximidades da região de Sanlitun, no início deste ano, e dá sua opinião sobre o reflexo do desenvolvimento no relacionamento entre chineses e estrangeiros. "As opções certamente fizeram com que os chineses ficassem mais abertos a pessoas de outros países. Existe uma troca cultural maior, e a China aos poucos vai se internacionalizando. Mas o gosto musical ainda é bastante diferente", diz.
O brasileiro Léo Anjos, 31 anos, morador de Pequim há três, trabalha como promotor e produtor de eventos e acredita que a cidade já alcançou padrões de cidades ocidentais como Miami, em termos de entretenimento. "Eu trabalho na noite há muito tempo. Antes de morar aqui, morei em Miami, e o que vejo são clubes e boates cada vez mais sofisticados em Pequim. As mulheres estão mais produzidas e todos gastam cada vez mais com sofisticação. O desenvolvimento está completamente voltado para coisas de luxo", acredita.
A libanesa Lara Youakim, 40 anos, que trabalha como consultora comercial e tradutora, mora em Pequim há 13 e fala sobre sua experiência desde que chegou.
"Vejo muitas coisas diferentes. Estive aqui pela primeira vez em 1991, e naquela época quase não se viam carros na rua. Apenas carros oficiais de Embaixadas e alguns taxis. As pessoas andavam de ônibus e eram bilhões de bicicletas circulando. Hoje, saímos à noite, jantamos em restaurantes e temos diversas opções para nos divertirmos. Em 1991, havia apenas cinco hotéis, e os estrangeiros e chineses não tinham contato nenhum. O tratamento dado aos chineses e aos estrangeiros era completamente diferente, até nas universidades. O aumento no número de prédios construídos e no tráfego só começou realmente em 2003", conta.
Mesmo reconhecendo as mudanças em função do desenvolvimento na cidade, a consultora acredita que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para que o intercâmbio cultural entre chineses e pessoas de outros países de fato se consolide.
"Não acho que os chineses e estrangeiros realmente se misturem. Os chineses gostam de sair, beber, estar com os amigos, mas não da mesma maneira que nós. Eles ainda são muito apegados às famílias, que são de outra geração, vivem de outra maneira e não são tão abertas quanto pessoas de outros países", explica.
Independentemente das opiniões de estrangeiros sobre chineses e vice-versa, de um fato ninguém escapa: a cidade não pára.
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