13/06 - 12:14hs
Pequim se prepara para receber número recorde de turistas na Olimpíada
Com atrações para todos os gostos e população que supera os 17 milhões de habitantes, Pequim adota medidas para garantir segurança e ordem pública durante os Jogos
Por Mariana Canedo, enviada especial do iG
PEQUIM (China) – A expectativa pela chegada de um grande número de turistas a Pequim a partir de julho faz com que medidas sejam adotadas pelo governo chinês para garantir a segurança e a ordem pública durante o maior evento esportivo do planeta. Pequim 2008 é mais um atrativo para que turistas de todo o mundo queiram conhecer a cidade que já possui cerca de 17 milhões de habitantes. Entre os meses de julho e agosto, acredita-se que o número de turistas na China pode chegar a 500.000, com grande parte desembarcando em Pequim.
Entre as atrações mais procuradas na cidade, destacam-se a Grande Muralha, a Cidade Proibida e o Templo Lama, que recebem turistas de todas as partes do planeta diariamente. Estima-se que a Grande Muralha e a Cidade Proibida recebam acima de 50.000 visitantes por dia. Para o Templo Lama, o número é mais modesto, de cerca de 5.000 visitas diárias, entretanto suficiente para chamar atenção, se comparado ao número de visitas diárias a outros templos em Pequim, como o Templo do Céu.
| Mariana Canedo |
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| A Grande Muralha |
A Grande Muralha, que na verdade trata-se de diversas muralhas, aglomeradas ao longo de dois milênios, começou a ser construída durante a China Imperial, por volta de 220 a.C, na dinastia Qing. No passado, sua função era a de defender os impérios de constantes invasões de mongóis e outros povos vizinhos No presente, a estrutura de cerca de sete mil quilômetros é um dos símbolos da China e foi eleita como uma das Sete Maravilhas do Mundo após concurso internacional informal em 2007.
Por não se tratar de uma estrutura única, as características da Grande Muralha variam de acordo com a região. Além dos muros, existem na muralha também portas, torres de vigilância e fortes.
Já a Cidade Proibida é considerada um dos mais importantes patrimônios históricos da China e é o maior complexo de palácios sobrevivente no mundo. Cobre uma área de 720.000 m2, com 980 edifícios com mais de 8.000 salas, construídas ente 1406 e 1420. Sua importância foi mantida no esquema arquitetônico de Pequim e sua entrada fica voltada para o Portão Tiananmen, de frente para a Praça da Paz Celestial, onde está situado o centro da República Popular da China.
O título de Cidade Proibida surgiu porque, nos tempos imperiais do país, somente o imperador, sua família e empregados especiais tinham permissão para entrar no conjunto. Sua abertura ao público aconteceu somente no século XX, após a queda do último império chinês. Atualmente, o Palácio do Museu, que fica dentro da Cidade Proibida, é responsável por sua preservação e restauro.
| Mariana Canedo |
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| A entrada da Cidade Proibida em um domingo. Uma das atrações preferidas de pequineses e chineses de outras províncias |
O Templo Lama, como é conhecido, ou Templo Yonghe, começou a ser construído em 1694, também durante a Dinastia Qing. Após servir de residência oficial dos eunucos do império, foi transformado na residência oficial do filho do imperador Kangxi, em 1722. Nesta época, metade do complexo foi transformado em um monastério para os monges, e a outra metade foi mantida como palácio. Após a morte do imperador Yongzheng, em 1735, o templo tornou-se residência para um grande número de monges tibetanos budistas da Mongólia e do Tibete. Diz-se que o templo sobreviveu à revolução cultural devido à intervenção do Primeiro Ministro Zhou Enlai e foi reaberto ao público em 1981.
Estas são algumas das principais atrações de Pequim, e os cuidados para que os turistas possam aproveitá-las com conforto e sem sustos até o fim das Olimpíadas e Paraolimpíadas passam por diversas esferas.
A brasileira Patrícia Saraiva, de 25 anos, que trabalha para a empresa francesa AGS e perdeu seu passaporte com visto de residente na China, conta que foi levada para a delegacia após uma operação policial no prédio onde mora.
“Fiquei umas duas horas explicando o que aconteceu. Mas os policiais foram super educados. Chegaram a perguntar até se eu preferia ir no meu carro para prestar depoimento. Se eu tivesse carro teria ido no meu, mas não tenho, então tive que ir no deles mesmo”, conta, reforçando que em momento algum os oficiais foram truculentos. A brasileira foi liberada após localizado o boletim de ocorrência da perda de seu passaporte.
Uma outra brasileira que mora em Pequim há mais de cinco anos e prefere não se identificar lamenta por ter perdido a carteira de motorista em uma operação policial à noite, em uma movimentada rodovia da cidade. Ela conta que vai ficar três meses sem poder dirigir, pois foi pega no teste do bafômetro, após tomar duas taças de vinho.
“Durante todo esse tempo que moro aqui, nunca passei por uma operação dessas. Eles estão realmente rigorosos com a fiscalização por causa da aproximação dos Jogos”, destaca.
Além destas medidas de controle, outras, como a instalação de detector de metais no metrô e testes de alarmes anti-terroristas para o caso de ataques químicos e seqüestro de ônibus com atletas, já começaram e fazem parte da contagem regressiva para as Olimpíadas.
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