24/08 - 07:46hs
Jogadores mostram equilíbrio após a perda do ouro; Giba fica até 2010
Embora lamentem a perda do ouro, atletas se dizem orgulhososo da medalha de prata em Pequim
Fábio Sormani, enviado especial do iG
PEQUIM (China) - André Heller, André Nascimento e Marcelinho foram os três únicos jogadores da seleção que apareceram para conversar com os jornalistas que escrevem. Com os que falam, outros atletas mais se dispuseram a dialogar.
Heller e Nascimento mostraram um equilíbrio extraordinário para quem tinha acabado de ver desmoronar o sonho do bicampeonato olímpico. Equilibrados, jamais levantaram o tom da voz e em momento algum demonstraram grosseria, típica da maioria dos atletas que se encontram nessa posição – especialmente os jogadores de futebol.
Marcelinho apareceu chorando. Mas mostrou-se igualmente equilibrado em suas análises. Destoava dos dois amigos de time por soluçar. Lembrava-se a todo o instante do nascimento do filho, no Rio de Janeiro, que não pôde acompanhar, pois já estava com a seleção brasileira em treinamento para a Olimpíada. “Eu queria demais levar essa medalha de ouro para casa e oferecer a ele”, disse Marcelinho. “Mas estou orgulhoso da prata”.
Embora sem derramar lágrimas, Heller demonstrava emoção. “Podia ter sido diferente”, disse ele. “Tenho muito orgulho e prazer de jogar com esses caras. Somos uma família. Nós nos amamos. Essa é uma declaração de amor a esse grupo”.
Nascimento fez coro com Heller e frisou: “Não podemos deixar que as derrotas na Liga e aqui em Pequim apaguem tudo o que nós construímos nesses últimos oito anos”.
Não podem mesmo; mas, como diz o dito popular, “a última imagem é a que fica”. Portanto, os torcedores – e eles próprios, jogadores – vão se lembrar por um bom tempo desta derrota para os EUA aqui em Pequim. Por isso, a mensagem de Bernardinho, ao final do jogo, quando todos estavam reunidos ainda na quadra, é realmente muito importante. “Levantem a cabeça”, ordenou o treinador.
E é o que eles têm que fazer. Se não conseguirem, haverá mais dificuldade para sair desta situação, que não é boa, pois o time perdeu as duas últimas competições oficiais que disputou. “Tentamos até o fim, mas não deu”, falou Heller. “Em momento algum, mesmo quando estávamos atrás, a derrota passava pela minha cabeça. Agora é pensar para frente”.
O que Nascimento fez questão de frisar é que o Brasil não pode ser visto como um time de outro planeta. Como bem disse o técnico Mike Krzyzewski, do time de basquete dos EUA, não há time invencível, não importa a modalidade. E não existe mesmo. “Somos seres humanos”, disse Nascimento.
Se o negócio é pensar no futuro, ele implica necessariamente na saída de alguns jogadores. Gustavo e Anderson já anunciaram a aposentadoria da seleção. Heller está muito perto disso, bem como Serginho, o nosso líbero. “Outros também estão refletindo”, disse Heller, sem mencionar nomes.
Giba é outro que pode não estar em Londres-2012. Na sala da entrevista protocolar, foi breve no encontro com alguns jornalistas. Futuro? “Minha idéia é ficar até o Mundial de 2010”, disse Giba. “Se me sentir bem, posso seguir com a seleção”.
O futuro de Giba, portanto, passa necessariamente pelo processo de reerguimento do nosso time. Se conseguir reverter a situação, veremos o camisa 7 na próxima Olimpíada; caso contrário, sua aposentadoria se dará depois do Mundial da Itália.
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