23/08 - 11:02hs

Brasil é campeão olímpico pela primeira vez no vôlei feminino
Equipe brasileira venceu os Estados Unidos por 3 sets a 1 e quebrou um jejum de 28 anos

Fábio Sormani, enviado especial do iG


PEQUIM (China) - Eram 21h42 aqui em Pequim; 10h42 no Brasil. Um ataque da norte-americana Logan Tom para fora deu a vitória ao Brasil em 3 sets a 1 (25/15, 18/25, 25/13 e 25/21) e a primeira medalha de ouro para o vôlei feminino brasileiro. Foram necessários 28 anos e sete tentativas. Mas valeu a pena esperar.

Zé Roberto Guimarães foi o responsável por colocar pela primeira vez as meninas no alto do pódio. Como fez com os meninos, em Barcelona-92, quando pela primeira vez o Brasil conquistou o ouro.

Com a maioria dos torcedores no Capital Gymnasium a favor dos EUA, as brasileiras jogaram com uma raça digna das campeãs que foram. Nem mesmo a perda de um set – o primeiro na competição – as deixou abaladas.
 
Mostraram que realmente são as melhores do mundo, pois nos dois sets seguintes suplantaram as norte-americanas sem qualquer sombra de dúvida.

AFP
As brasileiras, enfim, sobem ao lugar mais alto do pódio olímpico

O jogo - O diferencial do primeiro set foi o saque brasileiro, especialmente quando Fofão e Mari lá estiveram. A eficiência deste fundamento favoreceu o bloqueio, que foi responsável por três dos 25 pontos brasileiros.

Mas foi no contra-ataque que o Brasil se aproveitou da qualidade de seu saque. Seis pontos foram marcados desta forma, sendo que Paula Pequeno foi responsável por três deles.

O jogo foi igual até o décimo ponto. Foi quando Fofão foi para o saque e o Brasil conseguiu abrir uma diferença de cinco pontos: 15 a 10. Quando Mari chegou para sacar, o Brasil voltou a deslanchar, chegando a abrir 20 a 11.

Os dois times trocaram pontos até que Paula fez um ace e fechou o primeiro set em 25 a 15, em 22 minutos.

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Festa brasileira começou assim que a bola norte-americana pingou fora

O segundo set foi o oposto do primeiro. O Brasil teve sérias dificuldades na recepção e isso possibilitou aos EUA abrir uma diferença de cinco pontos: 9 a 4.

A partir desta vantagem, os times foram trocando ataques e contra-ataques, até que os EUA abriram mais dois pontos de diferença num ataque onde Sheila pisou na linha, vindo do fundo, e o bloqueio norte-americano voltou a funcionar: 23 a 17. Os EUA pontuaram sempre que o Brasil sacou e fecharam o segundo set em 25 a 18, em 23 mintuos.

Foi o primeiro set que o Brasil perdeu na competição. E veio a pergunta: como é que o Brasil reagiria a isso? Reagiu extraordinariamente bem.

Em dois contra-ataques, um com Sheila e outro com Mari, o Brasil já abriu uma diferença de três pontos logo no início do set: 6 a 3. Isso obrigou da chinesa Ling Lang, técnica dos EUA, a pedir tempo.

Mas pouco adiantou. O Brasil continuou eficiente, e mais dois contra-ataques (Sheila e Mari) e um bloqueio de Fabiana deram mais três pontos à seleção brasileira, que abriu mais seis: 12 a 6.

AP
Paula Pequeno, a seu modo, comemora a conquista da medalha de ouro

Os EUA recuperaram um pontinho num bloqueio, mas dois erros no ataque aumentaram ainda mais a vantagem do Brasil: 16 a 9.

Suficiente? Nada disso. O time continuou avassalador.

Dois bloqueios e mais três contra-ataques ajudaram o Brasil a fechar o set em 25 a 13, em 21 minutos.

O quarto set veio, e o Brasil manteve o mesmo ritmo do anterior. Saiu atrás num vacilo de recepção, mas recuperou a vantagem e três contra-ataques (dois com Sheila e um com Mari) deram a vantagem à nossa seleção em três pontos: 5 a 3. Tempo dos EUA.

O time norte-americano voltou melhor à quadra e tirou a diferença, empatando a partida em 5 a 5.

Os times passaram a trocar pontos, até que o Brasil voltou a abrir dois pontos novamente em 15 a 13, com um erro de ataque dos EUA e um contra-ataque finalizado por Sheila.

Isso fez a técnica chinesa pedir tempo. Deu certo: os EUA passaram à frente em 16 a 15, com pontos em contra-ataque, bloqueio e em uma má recepção de Mari. Mas os erros brasileiros não pararam: um contra-ataque norte-americano fez o jogo passar para 18 a 16 para os EUA.

AFP
Não faltaram bandeiras do Brasil na festa pela medalha de ouro

O jogo foi emocionante até o seu final, até que o contra-ataque de Tom Logan para fora deu a vitória ao Brasil em 25 a 21 em 27 minutos.

E a festa explodiu. Aqui e em todo o Brasil.

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