22/08 - 04:32hs
Daulhausser acaba com dupla brasileira no bloqueio
Não foram apenas os bloqueios de Dalhausser que mataram a dupla brasileira. A irregularidade também
Fábio Sormani, enviado especial do iG
PEQUIM (China) - O que o Phil Dalhausser jogou no tie-break tornou impossível o sonho dourado da dupla Márcio Araújo e Fábio Luiz. O suíço naturalizado norte-americano foi um monstro. Fez uma seqüência de quatro bloqueios seguidos e garantiu a medalha de ouro para os EUA, frustrando o sonho dos capixabas. O resultado final em 2-1 (23-21, 17-21 e 15-4) foi absolutamente justo.
“O Fábio fez de tudo: foi para o corredor, para a paralela, para o meio, bateu para os lados, buscou ângulos, mas o Phil foi muito feliz: ele caçou muito bem o Fábio”, resumiu Márcio Araújo, depois da partida. Se Dalhausser fez quatro bloqueios importantes durante o set decisivo, concretizou mais cinco nos outros dois. Isso dá bem uma idéia de como ele foi importante no tie-break.
“Ele leu bem o movimento do braço do Fábio e infelizmente para nós ele acertou”, continuou Márcio. “Ataque com bloqueio é a mesma coisa que um pênalti: quando o goleiro acerta o canto, pega a bola. O Phil achou o Fábio durante toda a partida”.
Vítima dos bloqueios, Fábio reconheceu a superioridade de Dalhausser. “Ele foi muito feliz”, admitiu. “Encaixou uma série de bloqueios, foi muito bem, fez o que ele melhor sabe fazer”. E complementou: “E logo contra mim; poderia ter sido contra outro”.
Mas não foram apenas os bloqueios de Dalhausser que mataram a dupla brasileira. A irregularidade também. Fábio e Márcio alternaram bons e maus momentos na partida, especialmente no set decisivo. “A gente sabia que tinha que abrir uma vantagem boa, porque eles têm uma capacidade de recuperação muito grande”, explicou Márcio. “Contra a Suíça eles estavam atrás em 6-0 e buscaram o jogo. E hoje, no momento decisivo a gente vacilou em algumas bolas. Se a gente tivesse vencido o primeiro set, acho que eles não agüentariam a pressão”.
De qualquer maneira, mesmo abatidos com a derrota na decisão, a medalha de prata tem um peso muito grande na carreira de ambos. Afinal de contas, foi a primeira Olimpíada que eles disputaram e conquistaram a medalha de prata.
“Estou muito feliz por nós e pelo voleibol de praia do Brasil”, disse Fábio. “Duas duplas chegaram ao pódio. Mas é claro que a gente veio aqui para buscar o ouro. Mas eu não sei explicar direito o que sinto no momento”.
Frustração?
“Não, frustração não é a palavra”, respondeu Fábio. “Eu não consigo encontrar a melhor palavra para definir o que eu sinto no momento. O que eu sei é que eu queria o ouro”.
Mas Daulhausser não deixou. Márcio foi buscar uma passagem bíblica para se confortar com o momento de tristeza. “Nenhuma folha cai da árvore sem que seja pela vontade de Deus”, filosofou. “Se não conseguimos a medalha de ouro é porque não era o desejo de Deus”.
Fábio foi mais ou menos nesta linha. Lembrou-se da conversa que teve com a mulher, momentos antes de deixar Fortaleza e rumar para Pequim: “Não vou pegar nada do que não é meu. O que eu trouxer para casa será o que foi reservado para mim”.
E o que foi reservado foi uma medalha de prata. Segundo Márcio, “um pouco dourada”. Mas é de prata.
O caminho dos dois, no entanto, não acabou. “Agora é renovar o nosso ciclo olímpico, dar a volta por cima e tentar ir a outra Olimpíada”, disse Fábio. “Se o Márcio não quiser eu boto ele nas costas e vamos para Londres”.
Tamanho para isso ele tem.
› Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG
COMPARTILHE
