22/08 - 00:26hs

Com o bronze, Ricardo e Emanuel mostram alegria contida
Brasileiros, que eram favoritos à conquista do ouro, derrotaram a dupla da Geórgia na disputa pelo terceiro lugar

Fábio Sormani, enviado especial do iG


PEQUIM (China) - Ricardo e Emanuel estavam felizes. Mais Ricardo do que Emanuel, mas ambos estavam felizes. Não estavam exalando felicidade, era uma alegria meio que contida, daquelas que vai só até a página nove. Dali para diante só vive este momento magnífico quem conquista a medalha de ouro.

Não era o caso deles.

“Estou muito feliz pelo pódio”, garantiu Ricardo. “É um momento muito especial, que eu me sinto como um vitorioso. Qualquer medalha ela é vencida. Por isso, não me frustro por não ter conseguido o ouro. Muitos queriam estar aqui. Tenho certeza de que a nossa dupla fez o melhor que pôde. Essa medalha de bronze tem um gosto especial”.

Realmente, o gosto do bronze não é o mesmo do ouro. Mesmo que os dois tenham garantido que estavam felizes — e estavam mesmo, eu já disse —, a felicidade só seria completa se os dois estivessem no lugar mais alto do pódio.

O que deu errado?

“Acho que nada deu errado”, respondeu Ricardo. “Deu supercerto. Conquistar uma medalha é uma coisa magnífica. Perdemos para uma dupla que jogou muito bem contra nós. O Fábio e o Márcio estão de parabéns”.

E sempre que complementava suas respostas, dizia: “Eu estou muito feliz”.

Do ponto de vista de currículo, realmente não há o que se reclamar: três Olimpíadas, três medalhas; prata em Sydney, ouro em Atenas e agora bronze. “Não tenho o que reclamar”, voltou a frisar, “mas só agradecer a todos os que torceram pela nossa dupla”. 

Quarta Olimpíada e quarta medalha?

“Espero que sim”, respondeu Ricardo. “Quero muito”.

E Emanuel, não fala? Claro que fala. E fala sobre o futuro: “A gente precisa sentar e conversar com toda a equipe e ver qual é o objetivo de cada um. Sempre foi assim, não vai ser diferente agora”.

De qualquer maneira, os dois seguem jogando juntos até o final do ano, quando o ciclo se fecha finalmente. “Temos um campeonato menor, que é o Brasileiro, mas que é muito importante para nós”, explicou Ricardo. “Vencemos as cinco últimas edições e queremos ganhar novamente”.

Emanuel, como Ricardo, valorizou o bronze conquistado, mas fez uma observação: “Eu acredito realmente que a gente é uma dupla muito forte. Mas a gente não conseguiu jogar do jeito que queria. Talvez se tivéssemos conseguido se preparar para jogar pela manhã, como a gente fez hoje, seria um pouco diferente. Mas eu estou muito feliz por estar levando um bronze para o nosso país”.

Os dois deixam Pequim amanhã pela manhã. Na segunda-feira eles chegam ao Brasil. Aí será tempo de relaxamento e estar ao lado dos familiares, como deixou claro Emanuel: “Quero voltar para o Brasil para ficar perto do meu filho, da Leila (ex-jogadora de vôlei) e dos meus pais. A gente passa por tantas emoções aqui nas Olimpíadas que a gente quer passar para eles ao vivo. E em cores”.

Pena que para eles a cor final não tenha sido dourada.

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