22/08 - 07:34hs

Brasileiros da Geórgia contam como a guerra mudou a Olimpíada no país

De recados no Orkut a ligação do presidente, Andrezza Chagas e Jorge Terceiro contam como a guerra repercutiu durante a Olimpíada

Nara Alves, enviada especial do iG



PEQUIM (China) – A amazonense Andrezza Chagas e o paraibano Jorge Terceiro, jogadores brasileiros naturalizados georgianos, ex-república soviética, conversaram com a reportagem do Portal iG sobre como a guerra no país afetou o esporte durante as competições de vôlei de praia na Olimpíada de Pequim, que terminaram nesta sexta-feira.

Além de Andrezza e Jorge, Cristine Santana e Renato Gomes, suas duplas, respectivamente, também se naturalizaram georgianos para disputar uma Olimpíada. “Mudou muita coisa no vôlei de praia”, garante Andrezza. Leia abaixo a entrevista concedida por ela e por Jorge.

AP
Brasileiros, com a bandeira da Geórgia ao fundo, ficaram em quarto na praia

Como a guerra afetou a delegação da Geórgia?
Andrezza: Com a guerra, a gente sabia que ia voltar pra Geórgia. Estava todo mundo com medo de ter que abandonar a Olimpíada e voltar pra lá. Pensávamos: "O sonho acabou". Todo mundo treina quatro anos para isso. Aí decidiram que a gente ia ficar. Mudou muita coisa.

O que mudou para você?
Andrezza:
Passei a receber muitos e-mails, mensagens, recados na minha página no Orkut. Pessoas que eu nunca vi na vida, que nunca viram vôlei de praia estavam torcendo e me apoiando. Foi muito bom. A cobertura da mídia foi a melhor possível. Repercutiu muito.

Como repercutiu na Geórgia?
Andrezza: O presidente da Geórgia (Mikhail Saakashvili) ligou para nos parabenizar quando ganhamos da Rússia. Ele ficou super feliz que a gente ficou dois minutos ao vivo na CNN. Foi especial porque foi a única partida da Geórgia contra a Rússia. O presidente disse: “meninas, estamos muito orgulhosos pelo fato de vocês terem vencido a Rússia”.

A Geórgia está indo bem nos Jogos?
Andrezza: Lá só tem campeão. A delegação inteira tem 30 pessoas e a Geórgia já tem três ouros e três bronzes e ainda pode ganhar mais medalha. Lá tem muito investimento onde eles têm tradição, como em luta greco-romana e judô. O lance é o apoio. O atleta que ganha ouro leva US$ 750 mil pra casa. Resolve a vida do cara. E a Geórgia é um país pobre. O presidente da Federação de vôlei de praia brigou para poder divulgar o esporte para que ele tenha mais adeptos. Já o brasileiro é mais individual.

Como são os georgianos?
Jorge Terceiro: Os georgianos são um povo super legal, de sangue quente, muito parecido com o povo brasileiro. Acho que por isso que eles nos escolheram para jogar por eles no vôlei de praia.

Eles apóiam os brasileiros no vôlei de praia?
Jorge Terceiro: Sim. Eu só tenho que agradecer pela oportunidade e pela força. Não é fácil representar a bandeira deles.

Qual é o peso da bandeira georgiana?
Jorge Terceiro:
A bandeira deles só tinha sido vista por causa da guerra. Agora, pelo menos a bandeira deles foi vista pelo mundo, fora da guerra. A gente levou um pouco de felicidade pra lá.

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