21/08 - 15:34hs
Zé Roberto abre o coração e conta o fardo que carregou desde Atenas
Treinador contou detalhes das provocações sofridas desde que perdeu a semifinal traumática contra a Rússia em 2004
Fábio Sormani
PEQUIM (China) - Zé Roberto Guimarães sempre se deu bem com a mídia. Não tem um pé atrás com ninguém. É seguro. Conversa à vontade com os repórteres.
Hoje, depois da sensacional vitória diante da China por 3-0, ele se abriu com os jornalistas. Tom de voz baixo, tranquilo, bem compassado, sem atropelar as palavras, seguro de si, Deste jeito ele abriu o coração. E falou o que muitos jamais iriam imaginar que ele fosse um dia dizer, mesmo que todos tenham certeza de que ele viveu tudo aquilo que disse.
"Depois do que aconteceu em Atenas não foi fácil levantar a cabeça. Fiquei em um momento debilitado, Foi muito complicado”.
O deboche dos torcedores machucava cada vez que ele ia jogar na quadra inimiga. “Quando era técnico do Finasa, cansei de chegar a ginásios e ver torcedores segurando cartazes onde estava escrito 24-19”.
Admitiu que tinha esse troço engasgado na garganta; e que ele de lá está praticamente fora. Motivo: a campanha do time aqui em Pequim, que é excelente. “Temos grandes chances de brigar pelo ouro”, admitiu o treinador brasileiro. E tem mesmo.
O retrospecto é irrepreensível. Apenas o Japão, nos Jogos Olímpicos de 1964, em casa, conseguiu ser campeão sem perder nenhum set. O Brasil caminha para isso. E com méritos.
Quando tudo terminar, o aquele troço certamente sairá definitivamente da garganta. Aí ele vai pegar o telefone e ligar para seu amigo Doug Beal, ex-técnico dos EUA, que vive na Califórnia. Considerado por muitos como o maior treinador de vôlei de todos os tempos, Beal, durante um jantar com Zé Roberto, neste ano, durante a preparação da equipe, lá nos EUA, disse: “Você ficou louco? Deixar o masculino para treinar o feminino?”
Zé Roberto riu e respondeu que ela é adepto dos desafios.
Nosso treinador pode entrar para a história do vôlei mundial como o único a vencer no masculino e no feminino.
Doug Beal não tem esse título.
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