20/08 - 12:14hs

Bernardinho exalta Giba e diz que no vôlei ele é como um atleta da NBA
Brasileiro chama a atenção dos chineses e tira até foto depois da fácil vitória do Brasil

Fábio Sormani, enviado especial do iG

PEQUIM (China) - A China não esperava vencer o Brasil. Isso ficou claro ao final da partida. Não havia no semblante dos jogadores asiáticos nenhum sinal de decepção, muito embora a gente saiba bem que os orientais são mestres em esconder emoções.

Mas foi o comportamento de meio time chinês, ao final do jogo, que indicou a aceitação deles quanto ao resultado final. Eles partiram em direção ao atacante Giba e sabe o que fizeram? Pediram para tirar foto. Isso mesmo, no melhor estilo tiete.

O resultado final, ou seja, a eliminação dos Jogos Olímpicos, diante de seus torcedores, pouco importava. O que interessava era a foto para a posteridade. Contar para os filhos e netos que eles um dia jogaram contra um dos maiores jogadores da história do voleibol mundial.

“O Giba é hoje no vôlei como um atleta da NBA”, disse Bernardinho.

O paranaense de Londrina jamais tinha vivido uma situação dessas. “Nossa, fiquei assustado”, admitiu. “Isso nunca tinha acontecido em toda a minha vida como atleta. Uns seis ou sete jogadores vieram pedir para tirar foto comigo”.

Isso, segundo ele, é muito bom do ponto de vista emocional. “É lógico que a gente fica contente, pois mostra que estamos trabalhando certo. É o reconhecimento do que a gente faz em quadra”.

Bernardinho, no entanto, não vê apenas o lado técnico como responsável por toda esta admiração chinesa. “O comportamento dele também é exemplar”, definiu. “Ele tem que manter essa humildade e serenidade. Isso que acontece com ele neste momento foi conquistado com trabalho. Hoje, os jogadores do voleibol mundial respeitam e admiram o Giba. E ser respeitado por seus pares é algo muito significativo e importante”.

Realmente, o capitão brasileiro é o centro das atenções aqui em Pequim quando o assunto é voleibol. Num primeiro momento, a contusão no ombro foi o tema principal. Hoje tudo parece estar bem. “Estou fazendo fisioterapia duas vezes por dia”, revelou. “E tenho treinado menos. Se é para cortar dez bolas, corto cinco”. É assim que ele vem driblando a contusão.

E realmente o camisa 7 está bem. É uma pessoa mais feliz atualmente. Ao contrário das primeiras partidas, a tensão provocada pela lesão no ombro era visível no semblante do jogador. Hoje a gente já não a vê mais.

Naquele momento, qualquer pergunta feita a ele era respondida de maneira econômica. Às vezes, até um pouco mais enfática do que o necessário, demonstrando claramente que ele não estava feliz. Ao contrário, estava preocupado com o problema no ombro.

Hoje, depois da vitória sobre a China por moles 3-0 (25-17, 25-15 e 25-16) em mísera uma hora e sete minutos, Giba exalava felicidade enquanto conversava com os jornalistas. Trocou idéias, respondeu perguntas e divertiu-se, numa clara demonstração de que tudo está bem com o nosso melhor atacante.

“Ele é o maior jogador do mundo na atualidade”, decretou Bernardinho.

O carinho dos torcedores brasileiros aqui na Olimpíada é prova inconteste de que realmente o atacante está em um nível bem acima de seus companheiros e que o treinador brasileiro, se não está totalmente certo, também não está longe da verdade.  Nas mãos de Giba estão depositadas grande parte da esperança da conquista do bicampeonato olímpico.

O passo seguinte será dado nesta sexta-feira, quando o Brasil vai enfrentar a Itália numa das semifinais. Se passar, fará no domingo, pela segunda vez consecutiva, a final dos Jogos Olímpicos.

E se isso ocorrer, uma singela modificação ocorrerá em relação às conquistas anteriores: o bigode estilo mexicano, que Giba sempre apresenta nas finais destas competições, não fará parte de seu visual. Por quê?

“Depois da Olimpíada a gente fala”, respondeu.

“Promessa?”, perguntou um repórter.

“Depois da Olimpíada a gente fala”, insistiu Giba, sempre sorrindo.

O trabalho amanhã será dobrado.

(Ah, sim, antes de subir a longa escada que dá acesso aos vestiários, Giba tirou pelo menos mais uma meia dúzia de fotos, estas com os voluntários que trabalham nos Jogos Olímpicos.)

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