19/08 - 00:27hs
Brasileiras não suportam a força de Walsh e May
Talita e Renata perderam para as norte-americanas por 2 sets a 0 e agora enfrentam as chinesas Xue e Zhang Xi na luta pelo bronze
Fábio Sormani, enviado especial do iG
- Renata e Talita perdem para favoritas e disputam o bronze
- Tian/Wang vence compatriotas e enfrenta Walsh/May na final
PEQUIM (China) - Assim que Walsh atendeu a todos os jornalistas norte-americanos da zona mista, ela saiu correndo e pulou em cima do marido, Matt Treanor, um jogador de beisebol do Florida Marlins, sem a expressão dela, é bom que se diga. Beijou-o várias vezes na boca, tipo selinho. E disse: “I was nervous!”
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Alguém pode perguntar: mas por que então a Renata e a Talita não se aproveitaram disso? Porque, como disse Renata, “elas são perfeitas”. Mesmo com Walsh nervosa, elas estão num nível superior às demais.
“Se a gente tivesse jogado o nosso melhor voleibol (e não foi o caso) e elas também, não teríamos chance de vencê-las”, admitiu Talita. E não tiveram: perderam por 2-0 e com o resultado as nossas meninas vão brigar pelo bronze contra uma dupla chinesa.
O desenvolvimento da partida mostra bem o que Talita disse. No primeiro set as norte-americanas trituram as brasileiras. O placar diz tudo: 21-12.
“Perdemos o controle do jogo”, admitiu Renata. “Não conseguimos jogar o nosso melhor voleibol. E quando você vê, elas passam por cima mesmo”.
Muita reverência? Você acha? Pois então preste atenção no que eu vou te contar agora: logo que as duas deixaram a zona mista e Walsh encheu o namorado de selinhos, May veio logo atrás, recebendo também “congratulations” de um número considerável de norte-americanos que ajudaram a lotar a arena do vôlei de praia.
A uns dez passos delas, Natalie Cook, de óculos escuros, um short bem curtinho em verde e amarelo e uma camiseta verde, nas cores da equipe australiana, olhava para ambas. Estava quase que boquiaberta, parecia mais uma tiete do que uma ex-campeã olímpica da modalidade (Sydney-00) e que participou com chances de ganhar a medalha aqui em Pequim.
As duas norte-americanas são assim mesmo: contagiante. Walsh-Treanor (o Treanor é o sobrenome do marido, um jogador de beisebol que atua pelo Florida Marlins) e May são realmente o creme-de-la-creme do vôlei feminino de praia no momento.
Ganhar delas é pra gente de outro planeta. “O ouro é delas, não vejo de outra maneira”, admitiu Renata, já dentro da sala de imprensa do complexo do vôlei de praia, desfrutando um pouco do ar-condicionado, a contrastar com os 30 graus que ditaram a temperatura durante a partida.
As norte-americanas realmente jogam muito. O segundo tempo as brasileiras foram um pouco melhor. Levaram o jogo numa igualdade em 12-13. Mas aí as norte-americanas fizeram uma corrida de 7-0 e deixaram a partida em 20-13. Nossas meninas anotaram mais um pontinho, mas na sequência as oponentes fecharam a partida em 21-14.
Se você não sabe — e poucos o sabem, é bom dizer —, as duas são guerreiras. Ao contrário do que você pode imaginar, caro internauta, o vôlei de praia nos EUA movimenta uma pequeníssima, minúscula eu diria, parcela da população. É popular na Califórnia e na Flórida. No resto do país, não existe.
Tanto que as duas, as melhores jogadoras do planeta, ganham anualmente, cada uma, cerca de US$ 1 milhão. Muito? Bem, para nós simples mortais muito, mas uma ninharia se comparado com o que ganham, por exemplo, jogadores de futebol americano, basquete e beisebol.
Só para dar um exemplo, Kobe Bryant, que está aqui em Pequim disputando os Jogos Olímpicos com o time norte-americano de basquete, ganha anualmente US$ 32,9 milhões entre salários do Los Angeles Lakers, seu time na NBA, e de patrocinadores.
Mas seguramente não é o dinheiro que move essas duas californianas. É visível no jogo delas que ambas entram em quadra para fazer o que mais gostam na vida: jogar vôlei de praia.
Tudo isso num clima festeiro, com sol o ano todo, mar a emoldurar as arenas, corpos bronzeados, gente bonita e saúde, muita saúde.
Parece não haver nada melhor do que isso.
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