14/08 - 06:50hs
Vôlei masculino: fim de um ciclo ou vítima de um esquema?
Seleção brasileira perdeu três dos últimos cinco jogos e vê ameaçada sua soberania no esporte
Fábio Sormani, enviado especial do iG
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PEQUIM (China) - Seria o fim de um ciclo? É o que todos nós tememos. E é o que muitos dizem que pode estar acontecendo. Afinal de contas, o Brasil já não vence mais como vencia.
A derrota para a Rússia – a segunda seguida, contando o revés diante do rival na Liga Mundial – deixou a todos com a pulga atrás da orelha. E foi na Liga Mundial que a pulga apareceu. Na competição disputada no Rio de Janeiro, o Brasil perdeu para os EUA na semifinal e acabou sendo derrotado pelos russos na disputa do bronze, deixando de subir ao pódio, o que jamais tinha acontecido na "era Bernardinho".
Se levarmos em conta os últimos cinco jogos oficiais disputados pela seleção brasileira (as duas últimas partidas da Liga e as três jogadas aqui em Pequim), o retrospecto é preocupante: duas vitórias e três derrotas.
O Brasil nunca perdeu tanto nas mãos de Bernardinho e num espaço tão curto. E a pergunta que todos fazem neste momento é: o vôlei brasileiro está manjado e por isso em declínio?
| Reuters |
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| Pela segunda vez consecutiva, Rússia derrotou o Brasil no vôlei |
Para o técnico Bernardinho, as dificuldades estão aparecendo, pois os oponentes estão sabendo jogar contra o Brasil. Após a entrevista coletiva oficial, atendeu pacientemente a vários jornalistas brasileiros e entre várias respostas decretou: “O campeão você vê nessas horas. Nas dificuldades os fracos sucumbem”.
Bonitas palavras, mas como reverter a situação? Ela seria reversível ou não? Teria o Brasil força para sair dessa dificuldade em que se encontra ou acontece com o nosso voleibol masculino o que se passou com o basquete profissional masculino dos EUA?
Os norte-americanos dominaram o mundo em três edições dos Jogos Olímpicos e em dois Mundiais. Depois de tanto ser observado, acabou sucumbindo. Há três edições oficiais (dois mundiais e uma Olimpíada) não sobe no topo do pódio.
“É diferente”, disse Bernardinho. “A soberania do basquete norte-americano sobre os demais países sempre existiu. Não é o caso do vôlei brasileiro. Vivemos um ciclo. Estamos no topo há uns sete anos, o que é bem diferente da história do basquete americano”.
Mas o treinador brasileiro concorda que a seleção brasileira está na alça de mira de todos. Dentro e, talvez, fora das quadras.
O que ele quer dizer com isso?
Solicitado a comentar uma declaração do ponta Dante, que disse depois da partida desta quinta que as pessoas não querem ver o Brasil ganhando, e, por isso, a arbitragem é sempre contra, Bernardinho balançou a cabeça, deu uma pequena bufada e disse não acreditar. E afirmou que isso é “teoria da conspiração”, para depois se contradizer: “A gente ouve por aí esse tipo de comentário, de que está na hora de mudar a ordem das coisas no vôlei mundial”.
Pergunto a ele onde foi que ele ouviu isso e Bernardinho responde: “Por aí”. Quem falou?, insisto. “A gente ouve”.
Desculpa de Bernardinho para justificar o mau momento do time brasileiro? Não acredito, até porque conheço o técnico brasileiro há um tempo longo. Ele não é disso. É estudioso e trabalhador; não procura desviar o foco de suas dificuldades – como as que ele vive no momento.
Bernardinho deve realmente ter ouvido algo de gente grossa, importante, que tem acesso aos bastidores. E, se for verdade o que ouviu, as dificuldades aumentarão. E as chances de conquistar o bicampeonato aqui em Pequim diminuem consideravelmente. Até porque o time não vem jogando o suficiente para superar esse tipo de barreira.
Se for verdade, é bom que se diga.
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