15/07 - 17:32hs
De olho na Rússia, Zé Roberto “comemora” grupo da morte
“Grupo da morte vai nos propiciar um bom ritmo de jogo, ajudando a saber no que devemos focar mais", afirma treinador
Gazeta Esportiva
GUARULHOS - Encarar logo em uma primeira fase olímpica a campeã mundial Rússia, além da Itália, melhor time da última Copa do Mundo, poderia ser motivo de extrema preocupação para um treinador. Não é o caso de José Roberto Guimarães, que não deixou de esconder a satisfação com o fato de a seleção brasileira feminina de vôlei ter logo duas “pedreiras” no início de sua caminhada em Pequim – a Rússia será o segundo jogo da disputa, enquanto a Itália será o adversário da quinta partida.
A opinião é baseada no ocorrido em Atenas-2004, quando o time nacional caiu na semifinal olímpica contra a Rússia depois de chegar a estar vencendo a quarta etapa por 24 a 19 com 2 sets a 1 no placar. Antes, o time havia passado pelas quartas-de-final com uma vitória complicada por 3 a 2 diante dos Estados Unidos.
“Lá, o nosso grupo da primeira fase era muito fraco. O único time forte que pegamos nas primeiras partidas foi a Itália”, lembrou o treinador. “O grupo da morte vai nos propiciar um bom ritmo de jogo. Isso vai nos ajudar a saber no que devemos focar mais, porque mesmo durante a Olimpíada dá para corrigir algumas coisas”, justificou, no desembarque da seleção no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos.
Aos poucos, as explicações sobre o ocorrido quatro anos atrás voltam ao discurso do treinador. “Atenas foi completamente diferente de tudo o que aconteceu. O que eu gostaria é que a gente tivesse naquela Olimpíada um grupo forte como agora. Assim, ou você passa ou é eliminado logo. Não dá para ficar em cima do mundo. Com um grupo forte em Pequim, nosso time vai ser testado e questionado. Precisamos disto antes das quartas-de-final”, acredita.
Para o duelo contra a Rússia, que também derrotou o Brasil na decisão do último Mundial, o técnico Zé Roberto admite que terá que quebrar um pouco mais a cabeça. Isso porque as russas não disputaram o Grand Prix – especula-se que elas não se dedicaram propositalmente no qualificatório europeu da disputa a fim de “se esconder” dos principais adversários.
“Seria legal jogar antes contra a Rússia antes para saber como elas estão”, comentou o treinador, antes de ser lembrado que, com a globalização do vôlei mundial, é difícil algum time aprontar uma grande surpresa. “Só que é mais fácil trabalhar quando você está vendo as adversárias, as filmando para ter uma parâmetro, se trocou alguma jogadora ou não...”, respondeu Zé.
Ele, inclusive, já está armando as suas estratégias para tentar saber um pouco mais sobre as rivais. “Sei que elas vão fazer uns jogos na Sérvia no final do mês e já estamos tentando monitorar isso. Não queremos ser pegos de surpresa no nosso segundo jogo. Além disto, lá no Grand Prix havia um estatístico russo filmando tudo. Ou seja: eles tem mais informações nossa que a deles”, observou.
Confiante após a vitória no Grand Prix, a oposto Sheilla não está tão preocupada assim. “Ainda não conseguimos ver como elas estão, mas já as conhecemos e eu acho que não vai mudar muito: bola alta na ponta e Gamova, Sokolova e Godina como as principais jogadoras”, avaliou a atleta, lembrando que o Brasil já tem feito um trabalho específico para encarar as russas. “Estamos treinando com homens, que atacam bolas mais altas, parecido com a Rússia”, comentou.
Além de Rússia e Itália, Argélia, Cazaquistão e Sérvia integram o grupo do Brasil na primeira fase em Pequim. A estréia será contra as africanas no dia 09 de agosto.
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