12/08 - 10:15hs

Tênis de mesa começa nesta quarta-feira para delírio dos chineses
Brasileiros se sentem 'importantes' na prova em que a China deve levar todos os quatro ouros

Por Mauricio Teixeira, especial para o iG Esporte

PEQUIM (CHINA) - A pátria de raquetes entra em quadra nesta quarta-feira na China, a partir das 10 horas da manhã (23h de terça-feira no Brasil). O esporte mais popular e mais vencedor da história do esporte chinês promete balançar as estruturas do Ginásio Universitário de Pequim.

Os ingressos são os mais disputados da Olimpíada e a pressão sobre os atletas lembra o tipo de tratamento que o futebol recebe no Brasil.  Nada mais justo já que das 20 medalhas de ouro distribuídas desde que o esporte tornou-se olímpico, dezesseis foram para a China.

AP
Wang Hao, da China, faz alongamento em treino antes da estréia

Em casa, as medalhas em disputa têm que ser chinesas. Ganhar uma prata que seja será uma espécie de Maracanazo Vermelho perante 6 mil fanáticos no ginásio e outros centenas de milhões pela televisão.

Apesar de depender de uma combinação de resultados complicada, é até comum na cobertura dos jornais chineses computar aos números e projeções a possibilidade da casa levar 8 medalhas - ouro, prata e bronze no individual feminino e masculino e ouro por equipe com os dois sexos. Wang Hao (foto AP), conhecido como o furacão, líder do ranking mundial, é o principal favorito ao ouro individual.

O país do futebol também trouxe a raquete

Se o favoritismo é intenso, por outro lado, a pressão é muito grande. Coisa que não acontece com a equipe brasileira, representada por Tiago Monteiro, Gustavo Tsuboi e Hugo Hoyama, além do reserva do Cazuo Matsumoto entre os homens e por Mariany Nonaka no feminino.

Apesar de ser praticamente impossível conquistar uma medalha, Tiago Monteiro, o número 1 do ranking brasileiro, não esconde o nervosismo. "Estou com um frio na barriga. A gente quer começar logo", disse ao iG na véspera da competição. Tiago é cearense, mora na Europa desde 2000 e é o único entre os brasileiros não ter ascendência japonesa.

Para ele, é muito diferente disputar tênis de mesa na China. "A gente se sente importante. Um ginásio lotado, o esporte nacional e mais de um bilhão de pessoas torcendo", afirmou.

De Vanuatu

Ao Brasil, juntam-se outros coadjuvantes na festa chinesa. Figurantes de uma disputa para poucos, mas que vão aproveitar o momento de glória do esporte que escolheram competir.

Uma das mais curiosas é Priscila Tommy, de 17 anos, atleta de Vanuatu, um arquipélago no Pacífico com cerca 215 mil habitantes. Priscila é a pior ranqueada entre todas as atletas na disputa, ocupa a posição 849.

Mesmo assim, coube a ela a honra de carregar a bandeira nacional no desfile de abertura da Olimpíada, a frente da delegação de três membros de seu país.

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