17/08 - 07:55hs
Dementieva encerra festa russa no tênis com medalha de ouro
Torcida se dividiu para acompanhar o duelo russo entre Dementieva e Safina. O iG acompanhou de perto
Fábio Sormani, enviado especial do iG
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PEQUIM (China) – A arena do complexo do Olympic Green Tennis Centre estava vazia. Mas à medida que o jogo do espanhol Rafael Nadal ia se aproximando, ela foi enchendo. Mas era melhor que isso não tivesse acontecido, pelo menos num primeiro momento.
Isso porque chegou um bando de mal-educados fazendo barulho e atrapalhando o jogo entre as russas Elena Dementieva e Dinara Safina, que decidia o ouro do tênis feminino aqui em Pequim. A britânica Lang Alison, árbitra de cadeira, autoridade máxima, pediu em vários momentos para que os torcedores fechassem o bico; alguns atenderam, outros não.
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| O trio de tenistas russas com suas respectivas flores e medalhas |
Mas à medida que eles foram se controlando, passaram a prestar atenção na partida das meninas e mergulharam por completo no jogo, emocionante, que foi decidido em três longos sets. A medalha de ouro acabou nas mãos de Dementieva; caiu-lhe muito bem. Sua vitória por 3-6, 7-5 e 6-3, em longas 2h24min, foi incontestável.
Antes de a partida começar, tinha curiosidade em saber para quem os russos iriam torcer. Descobri, segundos antes do início da decisão, que eles não tinham preferência. Um episódio emblemático dirimiu minha dúvida. Uma torcedora, que teve muita dificuldade para subir a escada e chegar até seu lugar por causa do tamanho de seu pé, gritou: “Let´s go Safina!”. Um russo respondeu imediatamente: “Let´s go Russia!”, no que foi aplaudido, numa demonstração clara de que eles estariam com as duas.
E foi assim durante todo o jogo. Os torcedores russos ora davam suporte para uma, ora para outra, dependia de quem precisava. Se Elena estava por baixo, os gritos eram para ela; quando chegava a vez de Safina, ela sentia o carinho dos torcedores de seu país.
Quanto à decisão, antes de falarmos nela, é bom lembrar que este foi o oitavo embate entre ambas. Elena tinha uma desvantagem de 2-5 e havia perdido os três últimos confrontos. Tirou a diferença num momento importante, num evento marcante, pois, como os próprios atletas dizem, Jogos Olímpicos são para toda a vida. Como um Grand Slam? Acho que não, mas não posso dizer com segurança pois nunca participei como atleta nem de um e nem de outro.
Dementieva fez um campeonato maravilhoso. Seu grande momento foi na partida de quartas-de-final, quando despachou Serena Williams após ter perdido o primeiro set. Repetiu a dose nesta final, pois igualmente saiu em desvantagem. E de virada, como diz a sabedoria popular, é mais gostoso.
Safina venceu o primeiro set por 6-3, pegando uma Dementieva irregular, especialmente na devolução do saque em seu lado direito. Como os grandes tenistas deixam para trás o que é irrecuperável e não ficam chorando o leite derramado, Elena recuperou-se inteiramente nos dois seguintes e não deixou dúvidas de seu melhor tênis.
Contou também com o desequilíbrio de Safina, que, como o irmão mais velho, o também tenista Marat Safin, deixou os nervos tomarem conta dela nos momentos impróprios. Cometeu 17 duplas faltas, nove delas no terceiro e decisivo set. Isso teve um preço altíssimo.
Elena ganhará 400 pontos no ranking por seu título em Pequim. Deverá superar Safina novamente, agora no ranking da WTA, uma vez que a campeã de Pequim ocupa a sétima posição e a vice, a sexta.
Na terça-feira Elena deixará Pequim. Embarcará para os EUA, onde cairá nos braços de Maxim Afinogenov, jogador de hóquei do Bufalo Sabres, russo como ela, noivo da mais nova campeã do tênis feminino dos Jogos Olímpicos.
Êta cara de sorte!
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