18/08 - 08:34hs

Entenda por que a natação mundial e brasileira deu um salto de qualidade
O que dizem o técnico de Phelps e o diretor da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos

Nara Alves, enviada especial do iG

 

PEQUIM (China) – Para quem acha que a impressionante seqüência de recordes da natação em Pequim é obra única e exclusivamente do maio LZR, é melhor mergulhar mais a fundo. “O maiô sozinho não faz nada. Um monte de nadador competiu com ele e não fez nada”, constata o diretor-técnico da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e delegado da Federação Internacional de Natação (Fina), Ricardo de Moura.

Os números impressionam. Este ano em Pequim, 68 recordes olímpicos foram quebrados na natação, 50 a mais que há quatro anos em Atenas. Foram batidos 25 recordes mundiais. Em 2004, não passaram de oito.

O Brasil teve sua melhor participação olímpica na modalidade, quebrando 16 recordes sul-americanos (contra 5 em Atenas) e 3 olímpicos inéditos. Na última Olimpíada, a natação brasileira ficou sem medalhas. Agora, a delegação volta ao Brasil com o ouro e o bronze de César Cielo.

Os resultados dos nadadores na piscina do Cubo D’Água são fruto de uma série de avanços da tecnologia especialmente a partir da Olimpíada de Sydney, na Austrália, em 2000. O diretor-técnico da CBDA e o técnico de Michael Phelps, Bob Bowman, falaram sobre as melhorias nas condições de treinamento, análises e monitoramento dos atletas, equipamentos, mudanças nas piscinas e nas regras da natação.

Veja o que eles dizem sobre os resultados fabulosos da natação em Pequim:

Maiô LZR: a vestimenta desenhada com ajuda da Nasa é apenas a ponta do iceberg. Com ele, o nadador consegue melhorar o posicionamento do corpo na água e corrige os efeitos do arrasto. O segredo está no tecido ultrafino que repele a água e comprime os músculos.

Mudanças nas regras: no nado peito, hoje os atletas podem dar uma pernada que antes não podiam tanto na saída como na virada. No estilo borboleta, os nadadores ganharam a pernada na saída e mais impulso.

Piscina modificada: a do Cubo D’Água tem 3 metros de profundidade, meio metro a mais que em Atlanta, e não possui uma parte mais funda que a outra. Além disso, a água que bate na borda agora é drenada para fora da piscina, em vez de voltar. Essas características reduzem a chamada “onda refletiva”, ou as conhecidas marolas. Com isso, os atletas enfrentam menos turbulência e gastam menos energia.

Tratamento da água: a temperatura agora é constante e em vez de cloro, a água é tratada com ozônio, o que tira o gosto, o cheiro e evita a irritação nos olhos dos atletas, além de melhorar a visibilidade.

Análises biomecânicas e fisiológicas: as novas técnicas permitem corrigir movimentos, aperfeiçoar as braçadas e consumir menos energia, ao medir o cansaço físico dos atletas.

Saúde física e mental: esta geração é mais saudável. Além de os programas de iniciação esportiva e educação alimentar desde a infância, os atletas estão nadando mais agressivamente, arriscando mais do que antigamente.

Popularização do esporte: o marketing da natação ganhou um grande impulso nos últimos quatro anos e o resultado é que, em Pequim, 15 países a mais participaram da Olimpíada. Com o fenômeno de Phelps nos EUA e com o ouro de Cielo no Brasil, a expectativa é de que a modalidade ganhe mais fôlego ainda para Londres 2012.

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