11/04 - 09:05hs

Para Fabíola, brasileiros são prejudicados sem LZR
Classificada para os 100m costas em Pequim, a nadadora brasileira afirma que o maiô desenvolvido com tecnologia da Nasa faz diferença na performance

Gazeta Esportiva


MANCHESTER (Inglaterra) - Para a nadadora Fabíola Molina, a seleção brasileira está disputando o Mundial de Piscina Curta em desvantagem por não ter nenhum exemplar do LZR. O maiô desenvolvido pela Speedo é a nova sensação das piscinas e ajudou vários atletas a bater mais de 20 recordes mundiais nos últimos dois meses.

A utilização do produto foi liberada em Manchester e foi com um deles que a norte-americana Jessica Hardy bateu o recorde nos 50m peito na última quinta-feira.

”Ainda não tivemos acesso a ele (maiô)”, lamenta a brasileira. “Mas quem tem pode usar aqui.... Os atletas do Brasil estão se sentindo relativamente prejudicados por não terem acesso a esse maiô. Precisaríamos testar para ver se gostamos e nos adaptamos, mas sem ter acesso, não tem nem como fazer isso...”.

Até agora, o único que já competiu com a nova roupa foi César Cielo, no GP de Ohio, nos Estados Unidos. Ele estava com uma delas quando venceu os 100m livre, no último final de semana.

Apesar do discurso generalizado de que não é a roupa quem garante o resultado, Fabíola lembra que o artigo pode sim fazer diferença significativa. “Por experiência própria acho que uma roupa faz diferenca na performance. Se não fizesse, todo mundo ainda estaria nadando de sunga como antigamente”, compara. “Lógico que o atleta tem que estar preparado e o maiô não vai fazer milagre, mas se você está bem, e nada com ou sem um maiô de performance, com certeza isso influencia”.

Após dois dias de disputas na Inglaterra, o Brasil ainda não conseguiu subir ao pódio em nenhuma prova. Até o momento, a melhor performance dos oito que estão em Manchester foi a sexta colocação de Rodrigo Castro nos 200m livre. Guilherme Guido também bateu duas vezes o recorde sul-americano nos 100m costas.

Classificada para os 100m costas em Pequim, Fabíola parou nas semis da prova. E tentará melhor sorte nos 50m do mesmo estilo no sábado.

Depois de constatar a dificuldade de competir nestas situações, a brasileira acredita que nas Olimpíadas a situação será diferente. “Acho que já teremos (o maiô em Pequim)”, aposta.

Com preço atual de US$ 800 dólares, o artigo está na lista de compras da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). “O presidente da CBDA (Coaracy Nunes) já autorizou a compra do material para os nadadores brasileiros, caso ele esteja à venda”, explica o supervisor técnico da seleção, Ricardo de Moura.

Independete disso, a Confederação irá se reunir com o fabricante na próxima semana para facilitar o acesso dos nadadores brasileiros ao produto em Pequim. Na opinião de Moura, a polêmica em torno do artigo foi supervalorizada.

”Tomou proporções maiores do que devia. A CBDA, de todas as formas, está atenta a isso, até em função das variações psicológicas que podem ocorrer no comportamento dos atletas”, destaca o supervisor.

E as discussões sobre o assunto não páram. Apesar de ter liberado o uso do produto e de ter divulgado nota afirmando que não há dados científicos que comprovem que o material do LZR ou de qualquer outro influencie na performance, a própria Federação Internacional voltará a analisar o assunto em reunião dia 18.

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