15/08 - 20:13hs
Judô não cumpre meta, mas garante três medalhas na China
Com três medalhas de bronze, a modalidade superou a vela e se tornou a com maior número de medalhas pelo país: 15
Gazeta Esportiva
PEQUIM (China) - O judô brasileiro encerrou sua participação nos Jogos Olímpicos de Pequim mantendo a tradição de conquistar medalhas. Desde a edição de Los Angeles-84, os judocas marcam presença no pódio e na China não foi diferente. Com três medalhas de bronze, a modalidade superou a vela e se tornou a com maior número de medalhas pelo país: 15.Para o coordenador de seleções Ney Wilson, isto comprova o sucesso de um projeto de longo prazo. “Não estamos tendo sorte, estamos colhendo os frutos do nosso trabalho. Conquistamos o reconhecimento das potências mundiais e nosso espaço com resultados e qualidade técnica. A CBJ se propôs a levar o judô brasileiro ao topo do mundo e estamos fazendo isso”, disse sobre o recorde de medalhas.
Mas apesar de perpetuar o retrospecto, a equipe que competiu em Pequim não atingiu completamente a meta da comissão técnica. O objetivo da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) era fazer a melhor campanha de sua história tanto em número quanto em quantidade de medalhas. Para isso, teriam de superar o desempenho de 84 (três medalhas, sendo uma prata e dois bronzes), incluindo na lista uma primeira colocação. Os pódios também deveriam ter uma inédita participação feminina.
A primeira medalha das mulheres de fato saiu com o bronze da leve Ketleyn Quadros no terceiro dia. Na mesma data, Leandro Guilheiro repetiu o desempenho de Atenas-2004 com outra terceira colocação. O meio-médio Tiago Camilo completou o serviço e foi o último a medalhar na competição.
Apesar de significativo, o resultado não deixou de ficar abaixo do esperado, principalmente pela ausência de ouro ou mesmo prata. Com três campeões mundiais na formação, a equipe brasileira desembarcou como forte candidata ao ouro em várias categorias.
Duas vezes campeão do mundo, o leve João Derly era uma das esperanças. Porém, o estreante olímpico não passou da segunda luta, superado pelo português Pedro Dias, e nem foi à repescagem.
Pior, depois da eliminação, o brasileiro ainda foi acusado de traição por Dias segundo quem Derly teria saído com sua namorada. Desmentidos à parte, o judoca gaúcho voltou ao Brasil de mãos abanando e com a fama de bonzinho arranhada.
Também campeão do mundo, o meio-pesado Luciano Corrêa caiu ainda antes, na estréia. Apesar disso, teve uma segunda chance na repescagem, mas parou antes da final da fase.
Já Camilo, eleito o melhor judoca do último Mundial, parou nas quartas-de-final, mas conseguiu o bronze. Vice-campeão em Sydney-2000, ele comparou sua medalha ao ouro pela necessidade de superar a decepção com a eliminação.
No feminino, não era Ketleyn a mais cotada para ‘desencantar’ a equipe em Olimpíadas. Participando de sua quarta Olimpíada, a meio-pesado Edinanci Silva ocupava esta posição.
No torneio, porém, ela ficou em sétimo – sua melhor campanha olímpica – e deixou aberta a possibilidade de buscar a derradeira redenção em Londres-2012. Outra esperança era a adolescente Mayra Aguiar, de 17 anos. A médio, porém, caiu ainda na estréia.
Mas as surpresas desagradáveis do Brasil começaram antes mesmo das competições. Três dias antes, a meio-leve Érika Miranda foi cortada por causa de uma lesão no joelho e a comissão técnica entrou em impasse com a reserva Andressa Fernandes.
A CBJ pretendia abrir mão da participação, não levando a substituta, que estava no Brasil, alegando falta de tempo para sua integração. Andressa bateu pé, inconformada e venceu a briga depois que handebol e vôlei de praia receberam reservas também na marca do pênalti.
Foi e caiu na estréia, assim como a meio-médio Danielli Yuri e a ligeiro Sarah Menezes. Também na ligeiro, Denílson Lourenço fez duas lutas antes do adeus.
O último dia foi o único com apenas um representante nacional, já que o feminino não se classificou para Pequim. O pesado João Gabriel Schlittler, bronze no Mundial de 2007, reeditou a final do Pan nas quartas e foi para a repescagem, após nova derrota para o cubano Oscar Brayson.
No torneio de consolação, ele acabou superado pelo atual campeão mundial da categoria, o francês Teddy Riner, que também foi surpreendido na chave principal.
Confira o histórico de medalhas brasileiras no judô:
1972 (Munique/ALE) - Chiaki Ishii (meio-pesado, bronze)
1984 (Los Angeles/EUA) - Douglas Vieira (meio-pesado, prata), Walter Carmona (médio, bronze) e Luís Onmura (leve, bronze)
1988 (Seul/COR) - Aurélio Miguel (meio-pesado, ouro)
1992 (Barcelona/ESO) - Rogério Sampaio (meio-leve, ouro)
1996 (Atlanta/EUA) - Aurélio Miguel (meio-pesado, bronze) e Henrique Guimarães (meio-leve, bronze)
2000 (Sydney/AUS) - Tiago Camilo (leve, prata) e Carlos Honorato (médio, prata)
2004 (Atenas/GRE) - Leandro Guilheiro (leve, bronze) e Flávio Canto (meio-médio, bronze)
2008 (Pequim/CHN) – Ketleyn Quadros (leve, bronze), Leandro Guilheiro (leve, bronze) e Tiago Camilo (meio-médio, bronze)
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