17/08 - 09:35hs

Movimento "perfeito" tira medalha de ouro de Diego Hypólito

Ginasta pede desculpas aos brasileiros e diz que jamais havia errado o "fatídico movimento"

Fábio Sormani, enviado especial do iG


PEQUIM (China) – Quatro anos atrás foi Daiane dos Santos. Dois pousos desequilibrados e o fim do sonho do ouro olímpico em Atenas. Hoje, no National Indoor Stadium de Pequim, o pesadelo tomou conta de Diego Hipólito.

Parece sina.

Tudo estava indo bem. No tablado, depois do terceiro movimento, Diego sorriu, seguro de seu desempenho. Mas a última seqüência, um duplo twist grupado, colocou tudo a perder.

Quando não deveria.

AP
Diego salta e, logo na seqüência, percebe que ficou sem a sonhada medalha

Na sexta-feira, no treino último, Diego e o técnico, Renato Araújo, decidiram por esse movimento ao invés do "Hypólito", que é o duplo twist carpado, mais arriscado.

Não deu certo.

"Ele nunca cometeu esse erro antes", jurou o treinador de Diego.

Mas o ginasta acabou caindo.

Como a queda, ruiu o sonho do ouro olímpico. Era o movimento perfeito para encerrar a apresentação, igualmente perfeita.

O bronze já teria sido uma grande decepção; foi o que ambos comentaram na manhã deste domingo, aqui em Pequim. A sexta posição, então, foi um golpe duro demais para o bicampeão mundial.

"Não acredito que estou no chão". Foi isso que um estupefato Diego Hypólito falou para si mesmo assim que terminou o movimento. Levantou-se completamente sem graça, mão direita na cabeça... bem, o resto a televisão mostrou.

Mas não mostrou este andreense sentado numa das cadeiras de plástico reservadas para os atletas ao lado do tablado. Não viu mais nada do que aconteceu. De lá não saiu até a competição terminar e acabar com o chinês Kai Zou com o ouro, o espanhol Gervasio Deferr com a prata e o russo Anton Golotsutskov com o bronze.

Araújo, que o conhece há 12 longos anos, respeitou o momento de seu ginasta. Nas poucas vezes que passou por perto de Diego, apenas olhou para ele, sem dizer nem uma palavra sequer. Apenas ouvia. E sempre a mesma frase:

"Não acredito, não acredito, não acredito", repetia Diego.

Ninguém acreditou também.

O desapontamento foi tamanho que o ginasta brasileiro, ao passar pela zona mista, onde ficam os jornalistas de todo o planeta, ao ver um batalhão de brasileiros, falou:

"Me desculpem, mas eu não vou falar nada". Virou-se e saiu andando, firme, com uma mochila preta nas costas, em direção ao vestiário.

Araújo, pela primeira e única vez depois da decepção no tablado do National Indoor Stadium, advertiu seu pupilo.

"Diego!", disse o treinador, resoluto. Isso bastou. Em atitude respeitosa e de reconhecimento da autoridade de seu treinador, Diego voltou.

Conversou cravados cinco minutos com os jornalistas.

Olhos marejados; as lágrimas, no entanto, não rolaram nenhuma vez por suas faces. Ele passou a mão na cabeça quase pelada por dezenas de vezes. Pressionou também o alto do nariz, na junção com os olhos, incontáveis vezes também.

As respostas eram sempre as mesmas: "Não sei o que aconteceu... Estava indo bem... É um elemento que eu faço sempre... Eu nunca erro, desta vez errei", etc e tal.

Por fim, antes de partir definitivamente, para o vestiário, deixou uma última mensagem: "Peço desculpas ao povo brasileiro".

Ninguém mais o viu.

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