17/08 - 11:41hs

Feliz da vida, Daiane anuncia aposentadoria olímpica
Ginasta ainda pretende disputar uma Copa do Mundo, mas está fora da próxima Olimpíada

Fábio Sormani, enviado especial do iG

PEQUIM (China) - A expectativa por parte de muitos era de medalha. Mas não era assim que Daiane dos Santos encarava sua participação final no solo.

Quatro anos mais velha do que em Atenas-04, esta gauchinha incrivelmente miudinha – mede apenas 1m46 – deixou o tablado do National Indoor Stadium feliz da vida. Quem esperava encontrá-la às lágrimas por não ter conseguido pela segunda Olimpíada seguida subir ao pódio enganou-se redondamente.

Daiane estava feliz da vida. “Entrei tranqüila, sabendo que tinha feito o que deveria fazer, que era estar na final do solo”, afirmou. “Sabia que não tinha chance de medalha. Mesmo que não tivesse errado, não teria nota suficiente para subir ao pódio”.

Realista e sem o aparelho nos dentes que tornou-se sua marca registrada, Daiane aparece para conversar com os jornalistas, na zona mista, usando uma calça de agasalho pelo menos dois números maior do que a que deveria estar vestindo.

Atendeu pacientemente todos os profissionais da mídia. Não fugiu de nenhuma pergunta. Entre elas, elogiou a participação olímpica da ginástica brasileira – “a cada Olimpíada a gente melhora” –, falou sobre Diego Hypólito – “só o atleta sabe quanto dói quando você cai” – entre outras coisas.

Deu ênfase, no entanto, à aposentadoria. E para isso deu um motivo que para grande parte do povo brasileiro é abominável: estudar.

“Preciso voltar para a escola, gente, não saio do sétimo período nunca”, disse ela, rindo. “Tenho que pensar no meu futuro”.

Lindo, Daiane, que suas palavras sirvam de exemplo para muitos brasileiros, principalmente para atletas de futebol, que são exemplos para muitas crianças e fogem da escola como bêbado do bafômetro.

De qualquer maneira, Daiane estará exibindo sua graça e seu charme pelos tablados do mundo até o final do ano, quando acontecerá em Madri a final da Copa do Mundo de ginástica. Depois disso, só haverá saudades, segundo ela.

Mesmo sem uma medalha olímpica, Daiane deu-nos muitas alegrias. Quem acompanha a ginástica de perto sabe muito bem do que estou falando.

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