25/08 - 18:11hs
Para Dunga, tempo de treino comprometeu campanha na China
"Outros espores tiveram quatro anos para se preparar, não trouxeram medalha e estão muito mais tristes"
Gazeta Esportiva
RIO DE JANEIRO - Apesar da expectativa de ouro que cercava a seleção brasileira masculina de futebol, o técnico Dunga desembarcou em São Paulo satisfeito com o bronze conquistado nos Jogos Olímpicos de Pequim. Lembrando que o país não conquistava uma medalha no torneio desde o bronze de 1996, em Atlanta, Dunga fez questão de valorizar o resultado.
"Lógico que a gente queria o ouro. A gente quer sempre o melhor para o futebol, mas temos de ser conscientes das coisas que acontecem", disse, comparando a modalidade com outras do programa olímpico. "Outros espores tiveram quatro anos para se preparar, não trouxeram uma e estão muito mais tristes do que nós. Então, a gente está muito tranqüilo daquilo que fez".
O tempo de preparação, aliás, foi um dos argumentos utilizados pelo treinador para explicar a cor diferente da medalha esperada. Segundo ele, o calendário apertado para a competição torna o desafio de obter um bom resultado em Olimpíada maior até que em uma Copa do Mundo.
"Para uma Copa você tem 40, 50 dias para treinar. A gente teve 15 com viagens, foram 11 treinamentos, sendo que quatro dias são após o jogo ou antes, quando não se pode treinar ao máximo. Tudo isso é situação adversa".
Além do tempo, Dunga apontou a dificuldade em contar com os atletas como outro fator complicador. "Os europeus têm torneios, os países são mais perto, têm torneios sub-23, sub-21. Além disso, os clubes europeus conseguem manter seus jogadores de 18, 20 anos e nós não. Cobram que a gente não traz jogadores do Brasil, eu levei cinco e três já não voltaram. Temos atletas de 18, 19 anos que estão na Europa há dois anos. É complicado".
Mas não foi apenas com os jogadores mais jovens que as equipes tiveram dificuldades na China. Na verdade, uma divergência na interpretação do regulamento da Fifa em relação à obrigatoriedade ou não da liberação dos jogadores pelos clubes europeus incomodou os técnicos. Para Dunga, a experiência em Pequim deixou muita coisa a ser pensada.
"Na hora da viagem eu não sabia com quais atletas podia contar por causa da lei. Três horas da manhã toca o telefone e não sabia se ia poder escalar ou não o jogador e na hora de entrar em campo chega uma carta dizendo que se jogasse ia ser suspenso ou ter multa". Considerando tudo o que aconteceu, Dunga fez questão de elogiar o grupo. "Estes jogadores estão de parabéns porque realizaram um bom trabalho".
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