04/07 - 12:53hs
Futebol atrai brasileiros à terra da Olimpíada
Jogadores brasileiros falam sobre futebol na China e revelam suas expectativas pelo desempenho das seleções dos países nos Jogos
Por Mariana Canedo, enviada especial do iG
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PEQUIM (China) – Assim como os demais esportes, o futebol na China segue as tendências econômicas do país, que vem crescendo com a abertura econômica iniciada entre o final da década de 1970 e começo da de 1980. O país foi aceito pela Fifa e incluído na Copa do Mundo, na Copa da Ásia e nos Jogos Olímpicos. Tanto que, em 1994, foi criada a Liga Profissional de Futebol Chinesa.
| Mariana Canedo |
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| A torcida do Beijing Guo'an em dia de jogo contra o time de Shangai |
Mas foi somente em 2004 que os times domésticos começaram a ganhar maior projeção e foi lançada a Super Liga de Futebol Chinesa, que tem o mesmo molde das competições regulamentadas pela Fifa. Desde então, o mercado futebolístico chinês vem abrindo espaço para jogadores estrangeiros, e a Super Liga Chinesa deste ano começou com 17 brasileiros inscritos, número este que já aumentou.
O zagueiro Rafael Scheidt, 32 anos, que começou no Grêmio e jogou também por Corinthians, Atlético-MG e Botafogo, está na China há um ano, defendendo o Xian, da cidade de mesmo nome. O jogador reconhece que o modo como o futebol é visto no país é bem diferente da maneira que é no Brasil.
“Aqui, as pessoas não acompanham o futebol como no Brasil. A Seleção Chinesa é fraca, e os jogadores usam muito a força em detrimento da técnica. Eles até sabem jogar, mas na hora de colocar em prática parecem se abater com a pressão”, explica.
O atacante Jefferson Feijão, 30 anos, que já defendeu Cruzeiro, Criciúma, Goiás, Inter, Avaí e Botafogo, sentiu na pele o emprego excessivo da força pelos jogadores chineses. O atleta, que está há cinco meses defendendo o Liaoning, de Sheniang, quebrou a perna direita durante um treino. “O jogador chinês que ficava na minha reserva me deu um carrinho por trás e eu quebrei a fíbula. Terei que ficar um mês e meio sem jogar. Volto depois da Olimpíada”, conta.
| Divulgação |
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| Vicente levou a Copa da China pelo Wuhan |
Um dos companheiros de clube de Scheidt, Vicente, 28 anos, há quatro morando na China, dá a sua versão dos prós e contras. “O salário é melhor e você recebe tudo que está no seu contrato. Os clubes têm uma excelente estrutura, os centros de treinamento e os estádios são ótimos. Mas a visibilidade é pouca e a técnica não se compara com a dos jogadores do Brasil e da Europa”, diz o atacante do Xian, que começou no Bahia e estava no Caxias, de Joinville, antes de ser contratado pelo Wuhan, seu primeiro clube na China, em 2004.
Já o atacante Tiago, 30 anos, atualmente no Beijing Guo’an, começou no União Barbarense-SP e veio para a Ásia em 2002. Defendeu alguns clubes na China e teve passagem também pelo futebol japonês. O jogador concorda com Scheidt em relação à insegurança dos jogadores chineses e dá sua opinião sobre o que pode ser feito para solucionar o problema da falta de técnica e habilidade dos anfitriões dos XXIX Jogos Olímpicos.
| Mariana Canedo |
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| O atacante Tiago em jogo do Beijing Guo'an contra o Shangai |
“Acho que os clubes chineses têm muito a aprender com o Ocidente e com outros países Asiáticos como Coréia e Japão, que trazem jogadores e técnicos estrangeiros para elevar o padrão e aprimorar os fundamentos dos seus times”, diz Thiago. Scheidt concorda com o colega e completa: “O futebol japonês ganhou muito em técnica e toque de bola após a ida do Zico para lá. Dinheiro os chineses também têm, basta aplicar na coisa certa”.
E quando chega o momento de falar sobre as expectativas pelo desempenho de Brasil e China, que estão no mesmo grupo nos Jogos Olímpicos, junto com Escócia e Nova Zelândia, os jogadores demonstram o quanto jogar na China fez com que se tornassem simpatizantes do país.
“Para a China é um grupo bem difícil, mas eles estão em casa e a torcida vai empurrar muito os jogadores. Acredito que isso faça uma diferença. O Brasil tem a tradição e acredito que tem totais condições de conseguir uma medalha de outro inédita”, diz Vicente.
“Eu espero que os jogadores chineses entrem mais confiantes para os Jogos Olímpicos. Vão precisar disso, porque as seleções que irão enfrentar são muito boas. Sinceramente falando, acho difícil, mas em futebol tudo pode acontecer e eu torço para que consigam uma medalha”, ressalta Tiago.
O atacante Jefferson Feijão completa com um alerta: “Acho que a China tem um bom time olímpico e acho que podem dar trabalho. O Brasil tem tradição, mas não pode se acomodar”.
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