16/08 - 08:28hs

Boxeadores vivem em briga com a balança
Atletas precisam moderar na comida e emagrecer na véspera da luta para a pesagem da categoria
 

Por Mauricio Teixeira, especial para o iG Esporte

 

PEQUIM (China) - Os atletas do boxe têm uma rotina diferente da maioria dos outros que estão na Olimpíada. Eles passam por pesagens no dia das lutas e precisam, por isso, ficar sempre controlando o que comem. A preocupação não é apenas pelo desempenho, já que eles podem mesmo ficar de fora dos Jogos caso estejam acima do peso exigido por cada uma das categorias.
 
"Os mais leves sofrem mais. Perder um quilo é muito mais difícil quando você tem 48 do que quando você tem 81", diz Rubens Costa, chefe da equipe brasileira em Pequim.
 
Alguns atletas, como Robenílson de Jesus, que foi eliminado neste sábado na categoria mosca (48 kg a 51 kg), vivem no limite. "Dois dias antes, a gente precisa cuidar", disse o treinador Luiz Dórea.
 
Robenílson costuma perder 800 gramas até a véspera da luta para encarar a pesagem. Ele faz um trabalho balanceado e fica longe das tentações culinárias da Vila Olímpica, que incluem fast food, restaurante asiático, culinária italiana entre muitas outras. "Depois que pesa, ele pode comer o que quiser, mas a poucas horas de uma luta, é claro que ele precisa maneirar e comer algo mais leve e balanceado.
 
"Tem que ter uma força de vontade descomunal. A gente baixou o Robenílson de peso com um trabalho especial", completou o treinador.
 
Na luta deste sábado, Robenílson perdeu para Anvar Yunusov, do Tadjiquistão, por 12 a 6. O chefe da delegação brasileira reclamou da atuação dos juízes. "O adversário ficava balançando o tempo todo, fazendo gracinha, preparando golpe que não vinha. O boxe amador é certinho, não tem espetáculo, tinha que ter sido chamado a atenção pelo menos uma vez," afirmou Costa ao iG.
 
Outros dois pugilistas brasileiros ainda têm chances. Paulo Carvalho, até 48kg, que luta nesta sábado e Washington Silva está a uma luta de conquistar no mínimo um bronze. Mas o brasileiro pode fazer história ao bater o melhor resultado nacional em Olimpíada, que foi com Servílio de Oliveira, bronze no México-1968.

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