10/08 - 14:09hs
China x Estados Unidos é campeão de audiência em Pequim
Duelo pelo basquete masculino colocou os donos da casa contra o time que promete dar show nos Jogos
Fábio Sormani, enviado especial do iG
PEQUIM (China) - Foi disparado o evento mais concorrido até agora dos Jogos Olímpicos. E por dois motivos óbvios: 1) a China esteve em ação; 2) o adversário era o time de basquete masculino dos EUA.
Com a abertura chinesa para o mundo, os norte-americanos, espertamente, investem pesado no gigante asiático numa tentativa de salvar uma economia que dá sinais evidentes de cansaço. A NBA foi uma das primeiras instituições norte-americanas a desviar seu olhar para a China. Escancarou sua porta para o gigante Yao Ming, o maior ídolo esportivo chinês, e vem lucrando com isso em popularidade e dinheiro desde 2002, quando ele ingressou no Houston Rockets, onde joga até hoje.
Com um cenário desses, não tinha como ser diferente. É exagero dizer que Pequim estava no Olympic Basketball Gymnasium, ou Arena Wukesong, claro. Mas foi difícil chegar ao local do evento.
O trânsito que já é complicado, ficou complicadíssimo. Para piorar, choveu demais neste domingo – finalmente – aqui em Pequim. E o que era ruim, ficou pior ainda. Quer mais? George W. Busch, presidente dos EUA, esteve na arena para acompanhar o jogo ao lado da mulher, Laura, do pai, o ex-presidente George Bush, e da mãe, Barbara, todos acompanhados pelo presidente chinês, Hu Jintao, que fez as honras da casa.
Quer dizer: nas imediações da Arena Wukesong não passava um fio de cabelo sem ser revistado. E parte das ruas perto do ginásio foi bloqueada também. Enfim, foi um caos.
De qualquer maneira, precavidos, os chineses chegaram cedo. Todos estavam sentadinhos da silva quando o jogo começou. Mas muitos jornalistas, não. Isso porque o COI não considerou a partida como de alta demanda e dispensou o passe para os jornalistas.
Como funciona isso? Simples: como há muito mais jornalistas credenciados do que lugares disponíveis nos locais de evento, o que o COI faz é exigir um passe (um ingresso) para que os jornalistas, mesmo credenciados, assistam a esse tipo de evento. Foi assim na cerimônia de abertura, um evento de alta demanda. Quem não tinha o passe, não entrou no Ninho de Pássaro, mesmo com a credencial. Isso evita a superlotação.
Como disse, o COI não agiu assim no jogo entre China e EUA. Por conta disso, muitos jornalistas ficaram em pé durante a partida. Eu mesmo, por conta de tudo que descrevi, cheguei atrasado e perdi o início da partida. Assisti os primeiros três quartos em pé. No último, com o jogo resolvido em favor do time norte-americano, muitos jornalistas foram embora. Então eu pude sentar no quarto final.
De minha posição, vi o passeio final dos norte-americanos diante dos chineses e vi também o presidente George W. Bush ser amparado pelo corrimão da escada que dava acesso à saída do ginásio. Não fosse ele e o presidente norte-americano, que tropeçou, teria levado um tombo e tanto. Foi ágil ao reagir ao tropicão inesperado. Deixou a arena quando faltavam 6:54 para o final da partida, quando os EUA venciam por 84-50.
O time do técnico Mike Krzyzewski fez mais 17 pontos depois que o seu presidente deixou o local do evento e fechou a partida em 101-70.
Quem achou que os chineses poderiam engrossar a partida tomando por base o primeiro tempo do jogo, tropeçou em sua própria ingenuidade. E ao contrário de Bush, não encontrou corrimão algum para se segurar.
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