22/08 - 12:52hs

Um salto de ouro

Maurren Maggi conquista a primeira medalha de ouro individual feminina da história do esporte brasileiro

Por Maurício Teixeira, enviado especial do iG


PEQUIM (China) - Sete metros e quatro centímetros é o tamanho da distância percorrida por Maurren Higa Maggi nos últimos oito anos. Desde os Jogos de Sydney em 2000, quando terminou em 25º lugar, passando pela suspensão por doping que inviabilizou sua participação em Atenas 2004, até chegar ao topo do pódio em Pequim 2008, foram anos de treinamento e superação desta paulista que, aos 32 anos, chega ao momento máximo da carreira de qualquer atleta.

Arte/iG Esporte
Maurren Maggi em três momentos: o salto, o pódio e a medalha

"A segunda melhor sensação da minha vida. A primeira foi a minha filha", disse, correndo, antes de ouvir o hino nacional brasileiro numa pista de atletismo olímpica pela primeira vez depois de 24 anos. Minutos antes, ela havia conversado por telefone com Sophia, que queria uma medalha de prata. "Eu queria de prata, mamãe", repetiu sorrindo. "Como é lindo o nosso hino", afirmou depois, já com a medalha no peito.

Maurren sabe que fez história. É dela a primeira medalha de ouro de uma mulher brasileira em disputas individuais em toda a história. "Esta conquista é para mim e para todas as mulheres também", afirmou. É também a quarta medalha de ouro brasileira em todos os tempos no atletismo. Ela entra para um time de campeões olímpicos do atletismo brasileiro que até hoje contava com apenas dois membros: Adhemar Ferreira da Silva (52 e 56) e Joaquim Cruz (84). "Eu nunca pensei que voltaria a competir em alto nível, muito menos ganhar uma medalha de ouro olímpica", revelou, lembrando do episódio em que foi suspensa por doping.

Para alcançar todos estes feitos na mesma noite, Maggi precisou de apenas um salto. Logo na sua primeira tentativa, chamou a torcida que a embalou com palmas e saltou seu melhor resultado no ano com 7,04m, marca que não foi batida até o final da prova. "Eu fiz um salto seguro, mas não perfeito. Eu tinha mais e fiquei concentrada até o fim se precisasse dar outro", revelou. "Mas foi bom que colocou uma pressão nas adversárias".

AP
Brasileira, que superou uma suspensão por doping, é ouro aos 32 anos

A principal concorrente foi Tatyana Lebedeva. A russa alcançou 6,97m no primeiro salto. Pressionada pela marca da brasileira, ela queimou todos os seus quatro saltos seguintes. No meio desta adrenalina, o sistema de som do estádio interrompeu a competição para que o hino nacional da Itália fosse tocado na cerimônia de premiação de Alex Schwazer, vencedor da Marcha de 50 km. Maurren comoveu-se com o choro do colega italiano no topo do pódio. Ela parecia querer sorrir e chorar ao mesmo tempo, ou quem sabe sair correndo para o alto do pódio também. "Eu fiquei tocada pela prova difícil que ele teve e pelo choro. E me vi no pódio, queria chegar lá".

Mas ainda restava um último salto para a russa. Salto que durou uma eternidade. O árbitro levantou a bandeira branca confirmando que a tentativa não foi queimada. A adversária sabia que tinha feito sua melhor marca do ano. Suspense total e, com 7,03m, apenas um centímetro a menos, a brasileira tornava-se campeã olímpica. A nigeriana Blessing Okagbare fechou o pódio com 6,91m.

Keila Costa, outra brasileira na prova, queimou seus dois primeiros saltos e conseguiu apenas 6,43m na terceira tentativa, parando ainda na primeira rodada. A brasileira terminou a disputa em 11º lugar.

Na saída, a campeã olímpica Maurren Maggi não queria saber de futuro. "Não sei o que vou fazer. Só quero sair da dieta da nutricionista, comer chocolate e voltar para casa ver a minha filha". Queria também dividir com Nélio Moura, seu técnico há 16 anos, a medalha de ouro. "Esta medalha não é só minha. É de nós dois", completou, emocionada.

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