20/08 - 13:39hs

O solo do homem mais rápido do mundo, parte 2

Usain Bolt corre "sério", fulmina recorde de 12 anos de Michael Johnson e garante ouro também nos 200m rasos

Por Mauricio Teixeira, especial para o iG Esporte


PEQUIM (China) - "Ele é o Superman 2, incrível! Eu vi a largada dele e pensei: 'Caramba, homens daquele tamanho não deveriam largar tão bem!' Os 100 metros finais foram impressionantes. Ele queria o recorde. Parabéns, Usain Bolt!". Estas foram as primeiras palavras como ex-recordista mundial dos 200 metros rasos de Michael Johnson, ao vivo para o canal de TV inglês BBC.

O norte-americano e outras 91 mil pessoas assistiram ao vivo em Pequim, pela segunda vez em menos de uma semana, a um espetáculo do maior corredor do mundo. Após o show na final dos 100m rasos, com direito a recorde mundial, ouro e deboche na chegada, Usain Bolt voltou a vencer e estabelecer nova marca nos 200m.

AP
Bolt deixou as brincadeiras de lado e "voou" até cruzar a linha de chegada

"Eu deixei tudo na pista esta noite. Eu fiquei dizendo para mim mesmo durante a prova 'não morra, não morra'. Não foi nada fácil", disse depois da prova o jamaicano, que, pelo telefone, recebeu os elogios do primeiro ministro de seu país.

O feito na prova dos 200m foi ainda mais impressionante porque o recorde de Michael Johnson durava 12 anos, e jamais um corredor havia chegado sequer perto de bater. O próprio Johnson, aposentado em 2000, quatro horas antes de começar a final duvidava do jamaicano. "Eu não dei um beijo de tchau no meu recorde e ficarei chocado caso Bolt bata meu tempo. Ele é incrível, mas o treinamento dele foi para os 100m, e acho muito difícil ele manter a velocidade que tem até o final", afirmou antes da prova.

"Meu sonho sempre foi vencer os 200m. Eu vim aqui para isso", confirmou Bolt logo após a prova. Mas, mesmo ele sabia que, se ganhar o ouro seria 'tranqüilo', o recorde não viria da forma que aconteceu nos 100m. Por isso, o Bolt dos 200m foi outro desde o início da prova. Um corredor sério, que largou muito forte, fez uma curva impecável e chegou à reta muito à frente de seus adversários.

Na prova dos 100m, no último sábado, Bolt relaxou durante a prova, olhou para o lado e simplesmente parou de correr, batendo o recorde mundial sem sequer se esforçar nos últimos 30 metros. Quase um deboche, que desta vez lhe tiraria certamente o recorde. A marca de Johnson exigiria muito mais do jamaicano, e o que se viu foi ele mantendo a concentração sem olhar para o lado até o último centímetro da prova.

Até aquela esticada de tronco, comum entre corredores que estão muito emparelhados, ele fez para garantir o tempo que precisava. Tudo para embasbacar o mundo novamente com um resultado final corrigido de 19,30 segundos, dois centésimos abaixo da marca anterior.

Como ele não é de ferro, depois da linha de chegada liberou seu jeito irreverente que durante a prova não mostrou. Deitou no chão, dançou e disse para todas as câmeras: "Sou o número 1". Na festa, finalmente os outros dois corredores que fecharam o pódio conseguiram alcançá-lo.

Ah, sim, claro. Como esquecer? Outros corredores também estiveram na prova. Churandy Martina, das Antilhas Holandeses, ficou em segundo, mas foi desclassificado por pisar na linha. A prata ficou com Shawn Crawford com 19,96. "Ele é mau", disse, brincando e lembrando Michael Jackson, o note-americano. Walter Dix (EUA) fechou o pódio. 

O dia do atletismo acabou na China, e Michael Johnson, que acordou de manhã com a marca no bolso, acabou sendo separado de seu recorde por um superman jamaicano malvado sem ao menos poder se despedir.

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