20/08 - 15:59hs

A genética, o segredo da liderança jamaicana no atletismo mundial
Com seus 2,7 milhões de habitantes, a Jamaica gosta das corridas curtas de atletismo

AFP

PEQUIM (China) - A cultura atlética, os fatores sociais e econômicos não podem explicar tudo, porque a genética tem muita influência em determinadas conquistas, como vêm comprovando os jamaicanos no atletismo das Olimpíadas de Pequim.

Com seus 2,7 milhões de habitantes, a Jamaica gosta das corridas curtas de atletismo. Mas é preciso considerar seu passado e sua população composta principalmente por descendentes de escravos negros da África ocidental.

"Estes negros eram homens fortes com um pé adaptado a corridas na savana, um pé muito aberto. Somente os mais resistentes deles sobreviviam à travessia", disse Carlo Vittori, ex-treinador de atletismo.

No entanto, mais que na força dos músculos e na seleção natural, Carlo Vittori acredita na importância da educação e na "motivação psicológica que estimula os hormônios e, em particular a testosterona".

Vittori, de 78 anos, demonstrou sua tese com Pietro Mennea, o atleta do sul da Itália que ele transformou em recordista mundial dos 200m, com a marca de 19s72, referência durante 17 anos.

A cultura do atleta é respeitada a fundo nas competições reservadas às High Schools do ensino secundário, que cada ano enchem o estádio de Kingston em um grande evento nacional, segundo uma jornalista local.

"Desde os 13 ou 14 anos, detectamos os melhores e eles são selecionados. Que eu saiba, não existe nada comparável em todo o mundo", explicou.

Para estes jovens, vencer nas pistas é a melhor maneira de mudar sua vida e a de suas famílias.

Os recentes estudos das Universidades de Glasgow e de West Indies de Mona (Jamaica), comparando atletas de diferentes origens geográficas, demonstraram a validade desta pista genética.

Em uma comparação com atletas australianos e jamaicanos, um número muito maior de jamaicanos apresentou uma substância, o actinen A, indispensável para a contração das fibras musculares rápidas da perna, segundo o professor Errol Morrison, presidente da Universidade de tecnologia onde estuda Asafa Powell.

Falecido ano passado, o grande Herb McKinley participou deste estudo. Ele pertenceu à equipe jamaicana que, em seu treinamento olímpico, impressionou o mundo inteiro nos Jogos de Londres de 1948 e depois nos de Helsinque.

Prova desta força genética jamaicana, Usain Bolt, que na quinta-feira completa 22 anos, ganhou nesta quarta-feira a medalha de ouro dos 200 metros rasos nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, com o recorde mundial (19s30), e se tornou o homem mais veloz do mundo com vitórias nas duas provas mais rápidas do atletismo, depois de ter vencido também nos 100 metros.

O jamaicano, que bateu o recorde mundial do norte-americano Michael Johnson (19s32), é o primeiro atleta a conseguir as duas vitórias, nos 100 e nos 200, nos mesmos Jogos Olímpicos, desde as vitórias de Carl Lewis em Los Angeles-84.

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG

COMPARTILHE