18/08 - 06:45hs

O lado B dos maiores da história do atletismo mundial
Acontece com eles também: atletas norte-americanos sem chance alguma de medalha comemoram feito de ‘estar na Olimpíada’

Por Mauricio Teixeira, especial para o iG Esporte

PEQUIM (CHINA) - “Estou muito feliz com o resultado (9º lugar)”, disse ela. “É muito divertido estar aqui. Quem diria que um dia disputaria uma Olimpíada?”, disse o outro ao iG, após confirmar sua penúltima colocação na fase eliminatória da prova, ficando fora da semifinal.

O discurso pode lembrar aquele ensaiado de países sem muita tradição no atletismo, mas os autores são Jennifer Barringer e Lopez Lomong, atletas da equipe olímpica dos Estados Unidos da América.

Acontece com eles também. Apesar de terem uma equipe forte, com seletivas nacionais muito disputadas, em algumas modalidades eles são meros coadjuvantes. Na história dos Jogos, a equipe dos Estados Unidos soma mais de 300 medalhas de ouro no atletismo, quase seis vezes mais do que o segundo colocado, a Alemanha. O Brasil tem apenas três ouros no esporte.


Lamong foi escolhido para levar a bandeira dos EUA na abertura

Barringer e Lomong têm histórias totalmente diferentes mas combinam quando o assunto é ganhar uma medalha de ouro: chegaram aqui sem chance alguma. Barringer ainda fez uma final, mas Lomong ficou muito longe de chegar lá. “Foi bom ver que eu posso ficar perto das melhores”, disse Barringer, radiante, com seu 9º nos 3 mil metros com obstáculo.

Barringer é uma garota nascida numa família norte-americana no Estado de Iowa. Loira, de olhar penetrante, esperta com as palavras, ela segue a cartilha das meninas populares da escola. Sempre se destacou nos esportes tanto na colégio da Flórida em que estudou quanto na faculdade no Colorado. Como boa parte do currículo dos atletas brasileiros, faturou apenas títulos locais e briga por medalhas em competições nacionais. Seu maior feito: conseguiu a vaga nos Jogos, apesar de carimbar o passaporte sabendo que um pódio era inviável.

“Estamos aqui para dar suporte a todos os nossos atletas, independente do lugar em que eles vão chegar”, disse ao iG Darryl Siebel, chefe da comunicação do Comitê Olímpico Norte-Americano. “As vezes o bronze é um ouro e muitas vezes o fato de chegar numa final já é uma grande vitória dependendo do atleta e da modalidade”, completou.

Nos 1500 metros entre os homens, a diferença é ainda maior. A última medalha de ouro norte-americana foi em 1908 nos Jogos de Londres. Desde 1952, em Helsinque, eles sequer sobem ao pódio na prova. Este ano, nenhum atleta do país sequer chegou à final.

sdf
Responsabilidade nas costas de Lopez Lomong, um jovem com uma história provavelmente mais sofrida do que a maioria de seus concorrentes. Lomong tinha seis anos quando foi parar num treinamento militar para crianças no Sudão, sua terra natal. Fugiu andando três dias até o Quênia, onde foi preso e mandado para um campo de refugiados, local em que permaneceria por 10 anos até conseguir ir para Nova York e começar a viver o sonho americano.

Lomong é um cara muito simpático e que vive um sonho. Ele foi escolhido como símbolo da delegação ao carregar a bandeira norte-americana no desfile de abertura. “Eu jamais imaginei estar aqui”, disse. “Tentei correr o meu melhor, mas não consegui classificar. Sabia que era difícil, quem sabe numa próxima eu tenha uma estratégia melhor”, afirmou o atleta, que foi o coelho da prova (aquele que abre vantagem e força o ritmo da prova, mas que perde fôlego no final).

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG

COMPARTILHE