No topo do ranking do Enem, Vértice tem lista de espera para 2014

Colégio Vértice, de São Paulo, lidera o ranking pela primeira vez. Mensalidades da escola estão em quase R$ 3 mil

Carolina Rocha, iG São Paulo |

A escola que encabeça o ranking dos melhores desempenhos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009 não é para qualquer um . Mesmo com mensalidades que chegam a R$ 2.756, o Vértice, de São Paulo, possui uma longa lista de espera para novos alunos, que só termina em 2014.

Veja também as notas das escolas em 2010

O colégio não é estreante no ranking das melhores do Enem. Com média 749,7 no ano passado, o Vértice, localizado no bairro do Campo Belo, na zona Sul da capital paulista, está entre as dez melhores do País desde 2005, quando o Ministério da Educação começou a divulgar a colocação das escolas a partir das notas no exame.

O Vértice foi o segundo colocado em 2005 e em 2006 (e o primeiro entre as escolas particulares do Estado). No ano seguinte, ocupou a terceira posição nacional e, em 2008, ficou em 10º lugar.

A consequência das boas colocações foi a migração de alunos de diversos colégios particulares da cidade para os bancos de suas salas de aula. Atualmente, para cada vaga nova oferecida pelo colégio (apenas 100 a cada começo de ano, sendo 40 para educação infantil e as outras 60 distribuídas entre todas as séries do ensino fundamental I, II e ensino médio), existem entre oito e dez interessados. “Daria para montar mais um colégio e meio com a lista de espera que temos”, conta o diretor, Adilson Garcia.

Segundo ele, a procura está tão acirrada que alguns pais estão inscrevendo filhos que ainda nem nasceram na lista. “Verificamos que temos procura para o ensino infantil, que começa aos 3 anos, para o ano de 2014, ou seja, são mães que estão grávidas hoje e que já estão reservando vaga para a criança entrar quando completar essa idade. Nessas fichas não tem nem o nome da criança”, admite.

Linha pedagógica
O segredo do sucesso do colégio, na opinião de Garcia, é a criação do hábito de estudo nos alunos. “A principal preocupação da escola é criar o hábito do estudo no estudante. Não queremos que eles deixem para aprender a matéria apenas na véspera da prova, por isso, aplicamos avaliações semanais, corrigimos todas as lições junto com eles, tanto as feitas em sala de aula quanto as de casa. Nunca deixamos que uma dificuldade do aluno se arraste para o bimestre seguinte”, garante.

Outro ponto destacado pelo diretor é o nível de afetividade entre professores e alunos. “Estamos investindo bastante em formação e capacitação para nossos funcionários. Além disso, damos prioridade na contratação para profissionais que tenham estudado aqui. Quando eles já têm vínculo com a escola, facilita bastante”, explica. De acordo com Garcia, 80% dos professores do colégio trabalham apenas nele e o salário médio deles é de R$ 7 mil, aproximadamente.

Foco no vestibular
Segundo o diretor, o projeto pedagógico do colégio não tem o vestibular como objetivo. “Nós preparamos os alunos para os desafios da vida e o vestibular está entre eles, mas não focamos nosso trabalho nisso, não separamos os alunos por área de aptidão para trabalhar melhor, tratamos todos do mesmo jeito”, diz.

A fama do Vértice entre os alunos, entretanto, é oposta. “Eu estudava em outra escola, em que o conteúdo era voltado para humanas, por isso meus pais me mudaram para cá”, conta a aluna do 3º ano do ensino médio Alexandra Ceirlinas, que vai fazer vestibular para medicina no final do ano.

Em busca dos bons resultados do Vértice, os pais da estudante decidiram matriculá-la na escola em 2006, um ano antes de entrar no ensino médio, para focar seus estudos no vestibular da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Eu me decidi há bastante tempo por medicina e meus pais acharam melhor me colocar em um colégio mais focado no vestibular para ter mais chances”, conta.

O mesmo aconteceu com os colegas de classe André Bianco e Fernando Vilela. Eles achavam que, onde estudavam antes, não atingiriam os objetivos de passar nos vestibulares de engenharia de produção e economia, respectivamente. “Lá, a gente era criticado pelos amigos por querer estudar mais, se esforçar”, explica Bianco, que foi para o Vértice em 2006 e levou o amigo no ano seguinte. Renan Rodrigues também se matriculou no colégio em busca de mais preparo para o vestibular.

Com aulas das 7h às 19h, de segunda a sexta e meio período aos sábados, os estudantes encontraram o que buscavam. “O começo aqui foi bem difícil. Tivemos de fazer aula de reforço à tarde para poder acompanhar”, lembra Rodrigues. Daniel Tong, que está no Vértice desde o começo do ensino fundamental II, teve mais facilidade e pretende estudar engenharia química. 

A escola adota apostilas de um sistema de ensino terceirizado e complementa as aulas com materiais próprios. Segundo os alunos, simulados surpresa fazem parte da rotina de estudos para o vestibular, que tem como base os processos seletivos da USP, Unicamp e das universidades federais de São Paulo.

Enem
Como no último ano as universidades estaduais paulistas não utilizaram a nota do Enem para complementar os pontos em seus vestibulares, houve um esvaziamento no número de participantes da escola na avaliação. Dos 62 matriculados, apenas 37 fizeram o exame. “Eles não querem ser avaliados se não for contar pontos para o vestibular. O foco deles não era o Sisu (Sistema de Seleção Unificada do MEC, que ofereceu vagas em universidades e institutos federais utilizando as notas do Enem). Dos mais de 60 alunos, só uma meia dúzia se inscreveu no sistema”, explica Garcia.

Neste ano, porém, as inscrições devem aumentar. “Terão mais alunos participando, pois eles querem concorrer a algumas federais que entraram para o Sisu, como a UFSCar”, afirma.

Ranking
O iG elaborou o ranking dos melhores e dos piores desempenhos no Enem com base nas médias totais de cada escola. Esse critério considera as médias das notas dos alunos nas provas objetivas (nas quatro áreas do conhecimento) e na redação. Foram consideradas somente as notas do ensino médio regular.

Nos casos em que menos de dez alunos fizeram a redação, não há nota global disponível, por isso, não foram considerados no ranking do iG. O mesmo acontece com as escolas cuja taxas de participação – relação entre o número de matriculados no terceiro ano na escola e a quantidade de participantes no Enem – foi inferior a 2%. Elas e as escolas em que menos de dez participantes participaram do exame também estão fora da lista, pois não tiveram médias totais divulgadas.

Os resultados das médias obtidas pelas 25.484 escolas que oferecem ensino médio regular e participaram da avaliação serão liberados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) nesta segunda-feira. Do total – um número 5% maior em relação a 2008, quando 24.253 escolas participaram do Enem –, 17.898 obtiveram médias globais. Desses, 17.882 tinha, pelo menos, dez alunos matriculados no ensino médio.

As notas das escolas que oferecem a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) - o antigo supletivo - também foram divulgadas pelo Inep. As regras para as médias globais são as mesmas. Ao todo, 7.670 colégios participaram do Enem, mas 1,4 mil tiveram notas das provas objetivas e redação. O desempenho de todas as escolas, inclusive as que não obtiveram médias globais podem ser conferidas na tabela abaixo.

OBS: O ranking do Enem 2009, divulgado em 19 de julho, foi alterado posteriormente por decisão da Justiça, que revisou as notas e incluiu o Colégio Integrado Objetivo na lista, com a segunda melhor média geral. Esta reportagem leva em conta os dados da primeira divulgação do ranking, mas o mapa e a ferramenta abaixo foram atualizados.

ATENÇÃO: para fazer a busca da sua escola, não coloque cedilha ou acentos gráficos (acento agudo, circunflexo ou til).

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