01/12 - 21:07 - The New York Times
BAGDÁ – Mais de seis anos e meio depois da invasão liderada pelos EUA, que muitos acreditavam que era por causa do petróleo, as maiores companhias do combustível finalmente estão ganhando acesso às reservas de petróleo do Iraque. Mas eles conseguiram muito menos do que vantajosos termos que eles visavam.
As companhias parecem ter calculado que, atualmente, vale à pena aceitar acordos com oportunidades de lucros limitados, com o intuito de cobrar mais acordos de desenvolvimento lucrativo no futuro, disseram analistas da indústria do petróleo.
“A atração que esses poços representam para as companhias de petróleo não tem relação com o lucro de cada barril, que é muito baixo, mas sim o valor do passe de entrada para o setor petrolífero do sul do Iraque”, disse Reidar Visser, pesquisador do Instituto Norueguês de Relações Internacionais, que opera um site iraquiano chamado Historiae. “Em termos de tamanho e potencial, a região de Basra continua sendo uma das áreas mais atraentes para o crescimento futuro da indústria petrolífera internacional”.
A primeira tentativa do Iraque em abrir sua indústria de petróleo para o investimento estrangeiro acabou sendo uma decepção em uma audiência realizada em junho, na qual a maior parte das companhias recusou a oferta. Mas, no mês passado, muitas daquelas companhias – incluindo a Exxon Móbil e a Occidental Petroleum, primeiras empresas norte-americanas a fecharem acordos de produção com Bagdá desde a invasão de 2003 – assinaram acordos em termos muitos parecidos com os quais rejeitaram no meio do ano.
Analistas dizem que as negociações sobre os três maiores campos de petróleo do país mostram que o Iraque, após um começo embaraçoso, pode estar se direcionando para se juntar às maiores nações produtoras de petróleo. Isso poderia perturbar o equilíbrio da OPEP e aumentar a tensão entre os vizinhos gigantes do petróleo, Irã e Arábia Saudita. Além disso, os direitos de exploração de outros dez poços iraquianos serão propostas a companhias estrangeiras em uma audiência pública em Bagdá, no dia 11 de dezembro.
No entanto, a audiência e os contratos viriam em um momento inadequado: poucos meses antes das eleições nacionais que poderiam provocar uma nova onda de violência em um governo que poderia desonrar os acordos.
Nos últimos acordos, as maiores companhias de petróleo concordaram em aceitar os contratos de serviços, nos quais ganhariam uma taxa por cada barril de petróleo produzido. Ainda assim, eles preferem negociações que incluam o compartilhamento da produção, nos quais ganhariam uma participação acionária no próprio petróleo. Esse tipo de acordo é muito mais lucrativo para as companhias de petróleo, mas para os iraquianos, eles são remanescentes da era colonial, quando as companhias controlavam a riqueza petrolífera do país.
“Nós mostramos que podemos atrair companhias estrangeiras para investirem no Iraque e impulsionar a produção por meio de contratos de serviços”, disse recentemente Hussain alç-Shahristani, ministro do Petróleo iraquiano. “Eles não terão uma parcela do petróleo iraquiano, e nosso país terá controle total da produção”.
Mas o Iraque teve que reconhecer que não deve ter esperanças em reavivar sua decrépita indústria de petróleo sem o dinheiro e o conhecimento técnico das maiores companhias. Apesar do forte sentimento antiamericano entre a população iraquiana, poucos oficiais querem recusar o dinheiro dos EUA.
“Não temos nenhuma preferência”, disse Abdul Hadi al-Hassani, vice-presidente do Comitê de Petróleo e Gás do parlamento. “Estamos interessados apenas na saúde financeira da companhia e em seus conhecimentos técnicos. As companhias americanas são bem reconhecidas no setor petrolífero”.
Após meses de negociações secretas entre o ministro do Petróleo e as companhias, dois novos acordos e o fechamento de um terceiro foram anunciados nas últimas semanas. Um consórcio formado pela Eni, companhia petrolífera italiana, Occidental e Korea Gas assinou um acordo preliminar para explorar o campo Zubayr, que é estimado em 4,1 bilhões de barris de petróleo.
Em seguida, houve a ratificação formal do único acordo fechado durante a audiência de junho, uma parceria entre a British Petroleum e a China National Petroleum Co. para explorar o poço de Rumaila, um dos maiores do mundo, estimado em 17, 8 bilhões em barris de petróleo.
Dias antes da confirmação do contrato, a Exxon Móbil e a Royal Dutch Shell assinaram um contrato inicial para explorar o West Qurna, um dos poços iraquianos mais desejados, em parte porque se acredita que tenha ao menos 8,6 bilhões em barris de petróleo.
O governo disse que a expectativa é que apenas a produção dos três campos forneça um rendimento de sete milhões de barris por dia diante o número de seis anos atrás, que era de 2,5 milhões de barris por dia. Isso poderia levar o país, atual 13º maior produtor de petróleo do mundo, ao quarto lugar, de acordo com as estatísticas do Departamento de Energia.
“Agora o Iraque está em seu caminho”, disse al-Shahristani após os anúncios. Os analistas da indústria de petróleo disseram que parece haver poucas mudanças em relação aos contratos propostos em junho. Mas a maioria das companhias parece ter repensado suas posições e decidido que, apesar de considerarem o retorno insignificante, não poderiam ser deixados de fora das riquezas do Iraque. Eles concluíram que com um pé dentro das negociações poderiam chegar a contratos melhores no futuro.
“A recente concessão de Zubayr e West Qurna serve para ilustrar a aceitação mais ampla de que, para assegurar essas explorações estrategicamente importantes, é necessário um comprometimento”, disse Colin Lothian, analista de pesquisa da Wood Mackenzie, consultoria no setor de energia.
Por TIMOTHY WILLIAMS
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